Frase de Guria da Poesia Gaúcha
IMPOTENTE Hoje se apossou na minha entranha uma estranha Sensação de marasmo, de marasmo sem limite, De prostração infinita, de verdadeira apatia. De parada geral mesmo, de aguda paralisia. Sinto-me tonta. Tento abrir os olhos. Mal consigo ver pequenos pontos cintilantes Que faíscam ao redor da minha cabeça. Que horas são? Onde estou? Quem sou? Tento inutilmente pensar. Minha mente flutua, meu pensamento mergulha. Falta-me a razão, a lógica, a coerência. O que será isto? Será depressão, acaso doença? Será a loucura, a famosa demência? Que confusão é esta que me meti até então? Estou enlouquecendo, só pode ser. Como explicar as divagações, contradições E utopias que ora habitam o meu ser? Por que me sinto assim, parada, completamente Catatônica, estagnada, se de dúvidas estou Enraizada e de inquietude totalmente tomada? Estou tonta. Sinto-me frágil, insegura. Devagar, até andando, mas quase parando. Impotente, cambaleante, quase caindo. Sonolenta, amortecida. Quero gritar, não consigo. Sequer faíscas enxergo. Sequer as perguntas me indagam. Sequer as respostas respondem. Suspiro. Um único! Seria á o último? Será que a vida ainda me resiste? Sei lá, mas que é louco, é louco, pois não estou triste Nem um pouco e até sinto-me melhor, meio contente, Vejo poucas coisas na minha frente e uma luz diferente. Há pessoas falando, chorando, um padre já confortando, Flores e luzes velando! Velando, eu disse isto? Meu Deus, será que velam eu? Sei lá, só sei que daqui Eu já posso ver! E até mesmo começo a entender! Tudo o que me afligia, o marasmo que sentia, Era eu mesma acabando, era a morte do meu Ser humano neste plano chegando, era a vida Em um outro plano começando e me preparando! Guria da Poesia Gaúcha Lavando a Alma, Página 43 1989
No pensador.ai desde