Frase de Aerton Lopes
Eu amei — e afirmo sem hesitação — amei com a inteireza de quem compreende que certos fenômenos da experiência humana não se submetem à trivial aritmética do tempo. Dizem: acabou. Permitam-me a devida vênia lógica — não acabou. O que eventualmente se extingue é a configuração circunstancial do vínculo, jamais o fenômeno afetivo em sua inscrição psíquica profunda. O amor, quando autêntico, não é evento episódico; é estrutura. Não é mera contingência emocional; é ocorrência real, empiricamente verificável na consciência. Pode cessar a convivência. Pode dissolver-se a proximidade física. Pode, inclusive, o silêncio ocupar o espaço outrora preenchido pela presença. Mas o amor — o amor verdadeiro — não se submete à categoria vulgar do ‘foi’. Porque aquilo que verdadeiramente é não se converte em nada por simples decurso temporal. O que muitos chamam de fim é, na verdade, limitação perceptiva. É incapacidade metodológica de distinguir entre a cessação do fenômeno relacional e a permanência da marca afetiva. E aqui reside o ponto nevrálgico: O amor constitui fenômeno real cuja projeção na consciência não apresenta, em si mesma, termo final intrínseco necessário. Negá-lo é confundir transformação com inexistência. É tomar a mutação da forma pela aniquilação da essência. E isso — permitam-me a franqueza — não é rigor lógico. É apenas imprecisão interpretativa.
Aerton Lopes
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