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Frase de J. G. de Araújo Jorge

Os versos que te dou Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente enquanto teu amor for meu somente, eu farei versos...e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, versos de sonho e de amor, e hei depois relembrar o passado de nós dois... esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são versos meus, mas que são teus, também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que possa perturbar vossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos hás de um dia mais tarde, revivê-los nas lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los...com saudade em tua dor... hás de rever, chorando, o nosso amor, hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e outros versos quiseres, teu pedido deixa ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, pode colher do chão todas as flores, pois são os versos de amor que ainda te dou. (Do livro "Meu Céu Interior" – 1934)

J. G. de Araújo Jorge

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Pensador.com

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Angústia Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza ! Oh, a transcendente poesia
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Angústia Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza ! Oh, a transcendente poesia que verso algum traduz... A via-láctea, inteiramente acesa parece a fotografia de um tufão de luz ! - Quem seria, quem seria que pregou lá no céu aquela imensa cruz? Que infinita serenidade... Que infinita serenidade misteriosa nesse infinito azul dos céus e em tudo mais: nos telhados, nas ruas, na cidade... ( Só os gatos gritam na noite silenciosa sensualíssimos ais !) Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira feminina e ligeira veio abrir bem na minha janela uma flor - como uma boca rubra e bela que não terei... - E ainda sinto nos lábios um travo nauseante do amor que faz bem pouco, há apenas um instante, paguei... E o céu azul assim... E essa serenidade! Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora... Juraria que há alguém, não sei onde que chora... Oh, a angústia invencível que me prostra invade e me devorar ...

Assim... Assim foi nosso amor... um sonho que viveu de um sonho, e despertou na realidade um dia...
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Assim... Assim foi nosso amor... um sonho que viveu de um sonho, e despertou na realidade um dia... Um pouco de quimera ao léu da fantasia... Um flor que brotou e num botão morreu... Embora sendo nosso, este amor foi só meu, porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia, - no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia este fim que o destino afinal já lhe deu... Não podes, bem o sei - sendo mulher como és, saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita e as pétalas no chão, pisadas por teus pés... Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim... Esse mesmo sorrir que agora te deleita é o mesmo que depois há de amargar teu fim !... (Coletânea - "Meus Sonetos de Amor " 1ª Edição, 1961)

NÃO DESPERDICES A VIDA Não te esqueças que a vida é um momento que voa um efêmero instante de beleza e alento;
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NÃO DESPERDICES A VIDA Não te esqueças que a vida é um momento que voa um efêmero instante de beleza e alento; vive pois sem temor e com desprendimento o que ela te ofertar, sem maldize-la à-toa! E' uma nuvem que muda aos caprichos do vento! Se hoje a perdes... O tempo nunca te perdoa! Vida! Repara bem como a palavra soa! Não temas pronunciá-la com deslumbramento! Há alguém, não sei quem é, mas disto estou seguro, que nos há de intimar num remoto futuro a dar contas da vida que um dia ganhamos... E após tal julgamento estranho, com certeza havemos de sofrer e pagar, se em defesa não der-mos as razões porque a desperdiçamos...