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Frase de Sou_Cah

Ele não veio de um lugar que se possa apontar no mapa. Veio de um lugar que se sente no osso: a certeza de que o amor não é um direito, é uma aposta. E ele, coitado, nunca teve sorte nas apostas. Ele cresceu ouvindo o barulho das coisas que não foram ditas. O silêncio era a língua materna. E ele aprendeu a falar com as mãos, porque a boca, a boca só servia para o que era útil: pedir, responder, sobreviver. Não havia sobrenome para carregar. Não havia história para contar. Não havia retrato na parede para lembrar de onde vinha. Então ele fez de si mesmo a própria origem. Construiu-se tijolo por tijolo, músculo por músculo, feito com a fúria de quem não teve colo e decidiu que não precisaria de nenhum. Mas o corpo, o corpo é mais sábio que a vontade. O corpo dele lembra o que a mente esqueceu. Lembra o frio, o vazio, o instante em que ele percebeu que o mundo não vinha salvar ninguém. Lembra a sensação de ser pequeno num quarto grande, sem voz, sem vez, sem braços. Então ele fez dos braços uma fortaleza. Protegeu-se com cordas, com equipamentos, com a certeza de que a segurança é uma coisa que se constrói. Ele não confiava no amor. Confiava no nó. Confiava na ancoragem. Confiava no que podia ver, tocar, testar. Até que Ela chegou. E ela, ela não era um nó. Ela era uma pergunta. Uma pergunta que não tinha resposta técnica. Uma pergunta que pedia algo que ele não sabia dar: a presença sem ação. O silêncio sem solução. Ele a amava. Amava com uma intensidade que o assustava. Porque amar, para ele, era o prenúncio da perda. Cada vez que ele se entregava, o corpo lembrava: "isso vai acabar. tudo acaba. tudo foi embora." E ele se preparava para o fim antes mesmo do começo. Não porque quisesse. Mas porque a vida, a vida lhe ensinou que o amor é uma coisa que se vai. Que o colo que a gente encontra pode ser arrancado. Que a pessoa que a gente ama pode simplesmente... não estar mais. Então ele segurava com força demais. Segurava como quem segura a própria existência. Porque, para ele, a existência sempre foi uma corda que ele mesmo amarrou. E ele não confiava que outra pessoa pudesse segurar a outra ponta. Ela pedia que ele soltasse um pouco. Que confiasse. Que se permitisse cair. Mas ele, coitado, ele olhava para o abismo e via todas as quedas que já teve. Via o instante em que o chão sumiu. Via o silêncio que não respondeu. Via a mão que se soltou. Ele não podia cair de novo. Não ia sobreviver a outra queda. Então ele ficou na borda. Ofereceu a mão, mas não deu o salto. Ofereceu a presença, mas não a alma. Ofereceu o corpo, mas não o coração inteiro. Ela sentia a distância. Ela sentia que ele estava ali, mas não completamente. Que ele a amava, mas com um pé na porta, sempre pronto para ir embora antes que ela fosse. E ele, ele não sabia que essa distância era a maior das perdas. Que, ao se preparar para a partida, ele já estava partindo. Ele pensava que amar era proteger-se. Mas amar, amar é desproteger-se. É deixar que o outro veja o que ninguém viu. É confiar que, mesmo vendo tudo, o outro vai ficar. Ele nunca teve a chance de aprender isso. Ninguém lhe ensinou que o amor pode ser um lugar onde a gente descansa. Para ele, o amor sempre foi um lugar onde a gente se prepara para a despedida. Mas Ela, ela não era uma despedida. Era uma chegada. E ele, que nunca chegou em lugar nenhum, precisava aprender a ficar. ... coisas sobre Ele

Sou_Cah

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Pensador.com

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Outras frases de Sou_Cah

Seria quase um sonho terminar o dia assim… nas suas mãos, que parecem saber onde o cansaço mora, no seu cheiro que me encontra antes mesmo de eu me explicar. Deitar no seu peito… ouvir seu coração e o ritmo da sua respiração, como se o mundo inteiro, por um instante, resolvesse…
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Seria quase um sonho terminar o dia assim… nas suas mãos, que parecem saber onde o cansaço mora, no seu cheiro que me encontra antes mesmo de eu me explicar. Deitar no seu peito… ouvir seu coração e o ritmo da sua respiração, como se o mundo inteiro, por um instante, resolvesse desacelerar comigo. E então… adormecer no seu abraço. Não por exaustão, mas por entrega. Como quem, finalmente, não precisa vigiar nada, nem sustentar força, e tampouco "segurar o dia nas mãos". Adormecer ali, sentindo seu corpo presente, firme, quente… como um lugar seguro onde eu posso simplesmente existir. Talvez nem seja sobre a massagem... talvez seja sobre encontrar em você um lugar onde eu possa descansar de mim. Mas hoje eu só vou dar uma volta e aproveitar um pouco de silêncio. Mesmo assim… ficou em mim essa vontade simples: de um abraço sem pressa, de um colo que acalma, de alguém que, baixinho, me diga que vai ficar tudo bem." ... coisas sobre Ela e Ele.

No mínimo, Ela se deixaria atravessar por cada paisagem. Como quem não passa, mas fica. Tentaria fotografar. Não só com os olhos, mas com aquilo que n’Ela sabe sentir cada instante que, em milésimos de segundo, lhe rouba o ar ou abre seus olhos em espanto manso… daqueles que Ela…
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No mínimo, Ela se deixaria atravessar por cada paisagem. Como quem não passa, mas fica. Tentaria fotografar. Não só com os olhos, mas com aquilo que n’Ela sabe sentir cada instante que, em milésimos de segundo, lhe rouba o ar ou abre seus olhos em espanto manso… daqueles que Ela nem quer entender, só permanecer. Esse momento é rápido, é muito breve. Talvez dure um “click”. Mas, quando acontece, já não é mais do mundo — é d’Ela. E fica. Fica nos cheiros que não se explicam, nas cores que não se repetem, nos sons que atravessam sem pedir licença, na música, no barulho, no sol, no vento, no corpo… E foi exatamente esse pequeno pedaço de eternidade que escolheu morar dentro d’Ela. De repente, Ela olharia para o lado… (quero dizer, para frente… é mais provável, rs) e veria Ele. E, então, tudo faria ainda mais sentido. Ficaria ainda mais bonito… não, bonito não. SU BLI ME. ELE. A pessoa que tornou tudo isso possível, com uma dedicação silenciosa e uma entrega que não se mede, só se percebe, se nota. E Ela… talvez não dissesse nada. Só agradeceria. Pensando bem, Ele seria a paisagem da qual Ela não conseguiria (nem por vontade própria, caso existisse) desviar o olhar. E, sim… acho que Ela estaria aproveitando. Na verdade… vivendo. ... coisas sobre Ela e Ele

Ela não escreveu para que mudasses. Ela escreveu para que Ele a visse, a lesse. E não é uma queixa. É um convite para Ele escrever sobre si– sobre Ela, sobre Ele e Ela, sobre o ‘Nós’ sendo construido. Não é um ultimato. É um limite interno e silencioso, que ela não quer que cre…
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Ela não escreveu para que mudasses. Ela escreveu para que Ele a visse, a lesse. E não é uma queixa. É um convite para Ele escrever sobre si– sobre Ela, sobre Ele e Ela, sobre o ‘Nós’ sendo construido. Não é um ultimato. É um limite interno e silencioso, que ela não quer que cresça. A campainha toca muitas vezes n'Ela. Mas por querer ficar desta vez, Ela está com medo de não correr mais para abrir. Então Ela fica ali, do lado de dentro, observando se Ele entra ou se apenas toca e vai embora. Qualquer das duas respostas é uma resposta. Mas só tem uma que Ela deseja. ...coisas sobre Ela e Ele