Frase de Angélica Monção Lima
Me peguei observando as linhas no canto do olho do meu pai. Me fez parar pra pensar. O tempo é pouco para uma vida que é muito. Achava que correr me faria ganhar tempo, só perdi. Hoje, estou entregue a ouvir a música do vento, ao beijo lento, ao abraço apertado, da leitura sem pressa, do sossego de desenhar. Não virei hippie, sou avessa a rótulos. Só me dei conta que deleitar na vida não vai me fazer escapar da morte, mas me faz ganhar sorrisos, momentos, recordações e futuro, essas coisas que dinheiro não compra, sabe?! Assim, eu ganho. Tenho que construir patrimônio, "mas de que vale ganhar o mundo e perder a alma?" A calma? O sono? O tempo? O toque? O sonho? A saúde? A alegria? De que vale uma vida de nada? Daqui um tempo as linhas no rosto vão desenhar a saudade. E eu me preocupo com a qualidade que essa saudade vai ter. Me preocupo não com a forma que meu corpo vai tomar, mas que história ele vai ter pra contar de mim. O velho está aí, a cada minuto que passa. Não temo o tempo, temo o que é que ando fazendo dele.
No pensador.ai desde