Frase de Oséias Francisco da Silva
O CANTO DA RESISTÊNCIA Primeiro invadiram meus espaços, eu cantei. Depois derrubaram nossas arvores, meu canto não abafei. Construíram casas e prédios onde só haviam arvores e plantas, eu cantei. Meus jardins floridos deram lugar a ruas asfaltadas, preciso cantar. Incessantemente! Roubaram-me tudo, quase tudo, porque meu canto eles não vão calar. Cantar é viver! Canto para viver e vivo cantando. Em todos os cantos ecoa o canto dos desencantos que incomoda alguns e encanta outros. Cantar é preciso! Quando a noite se aproxima, eu canto. Na madruga fria e angustiante, meu canto é alívio. De manhã canto para receber o sol. Sou Sabiá, sabe lá se me entende. Não importa! Apenas canto aos ouvidos das almas sensíveis. Resistir é uma necessidade, o canto é minha arma. Cantar na floresta era mais fácil, tantos cantos do Sabiá passavam despercebidos. Sem florestas, sem flores e jardins uma sinfonia de um canto só resiste. Não vão calar minha voz, sou Sabiá e não desisto nunca. Para quem me fez o mal, eu canto. Quem canta os males espanta! Tento pelos menos! Se um dia atentarem contra meu maior patrimônio, a vida, tirando o que restou, meu canto insiste e resiste, se pereniza nas consciências e nos mundos. Mesmo ausente, meu canto soará nas consciências dos malfeitores e pelas ruas, vielas, becos, jardins esquecidos e em qualquer lugar onde o vento soar, meu canto continuará ecoando com sua melodia inconfundível nas memórias das pessoas. Cantar é se imortalizar! A resistência do meu canto é a afirmação da existência. Canto, logo existo!
No pensador.ai desde