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Frase de Ligia Tosetto do Prado

Ensaio sobre o tempo e o corpo: entre ocupar e preencher O tema era as doenças da alma. O psicanalista declara: a alma se coloca no espaço do sintoma, que longe de ser um substantivo, é uma ação. É o corpo gritando o que nos planos mais sutis já é claro: onde está meu conteúdo interior? A alma preenche o corpo daquele que lhe confere tempo. Mas...quem tem tempo hoje? Einstein compreendeu que medimos o tempo em função do espaço. Vivemos nosso tempo para conquistar espaços externos: trabalho, casa e carro. E, de fato, conquistamos todos eles. Percorremos distâncias cada vez maiores e, cada vez mais, dizemos: eu não tenho tempo. Paradoxalmente, quando os espaços e o tempo estão completamente ocupados, estamos vazios. Utilizamos a lógica do ocupar em lugar de preencher. Ocupamos um corpo, mas não o preenchemos. Nossos corpos são tratados como carcaças. Os alimentamos e exercitamos como forma de obrigações para que continuem nos levando até onde precisamos. Em linguagem bruta, tratamos como um carro que abastecemos para que leve para o shopping. O objetivo é manter funcionando. Quando não quer pegar, nos irritamos. Nossos corpos são utilizados como meio, sem perceber que ele é o próprio fim. Pense bem, você só é considerado existente nesse mundo porque está em um corpo, seja lá qual for a condição dele. A relação que mantemos com nossos corpos reflete a relação que temos com o nossos tempo. Apenas ocupamos, mas não preenchemos. Mas o que é preencher? Enquanto a ocupação dialoga com espaços externos, o preenchimento é amigo íntimo. Ou seja, é do espaço interno. Aqui, o tempo se torna eterno. Já ouviu a expressão “parecia uma eternidade”? Ou “eu nem percebi o tempo passar”? Como se vê, a eternidade do tempo existe tanto para experiências ruins quanto boas. Em todas, você esteva imerso em algo muito bom ou muito ruim. Percebemos, então, que o tempo existe enquanto percepção. Fazemos exercícios porque disseram que teríamos que fazer, mas não procuramos uma atividade que nos traga prazer. A academia se torna, claro, uma tortura. Buscamos trabalhos para pagar nossas contas sem nos perguntar quais são, de fato, nossas habilidades que transcendem a percepção do tempo. Passamos de atividade em atividade dando “check” em obrigações e implorando para que o tempo, por favor, passe. E rápido! Inconscientemente, pedimos: vida, por favor, passe. E rápido! Nossos corpos são veículos que nos permitem preencher nosso tempo. Quando começamos a olhar para ele, começamos a dialogar com nossas almas. Hoje eu acordei e, antes de comer, sentei para escrever. O tempo passou, eu sequer percebi. Um amigo esses dias contou que estava fazendo o bolo de aniversário da sobrinha e, quando viu, já era madrugada. São apenas dois exemplos em que corpo e mente estão no mesmo lugar e o tempo foi esquecido. Tempo preenchido é tempo esquecido. O preenchimento está onde você, de fato, está. Quando você está em um lugar, pensando em outro, realmente, falta algo. E pior, você está querendo fugir de onde o seu corpo está. Comece a perceber as contradições entre seu corpo (onde estou?) e sua mente (onde eu gostaria de estar?). No tempo, você percebe que o preenchimento é mais da ordem do estar. Estar em nós. Enfrentar o tédio e descobrir qual melodia somos capazes de criar quando estamos a sós. Normalmente, fugimos de nós. Buscamos o outro. Ou buscamos lugares. Tudo é desculpa para ocupar e não preencher. Estar em nós é saber exatamente o que nos faz esquecer o tempo quanto estamos sozinhos. Para esquecer, é necessário perceber que ele, de fato, existe. Precisamos sentir a sua finitude para o corpo e sua eternidade para a alma, comunicá-los, para, então, transformar o tempo em preciosidade.

Ligia Tosetto do Prado

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Entremundos Quando entro no seu mundo, eu gosto de prestar atenção. Ouvir cada detalhe e ver a sua expressão. O que faz o seu olho brilhar? O que te faz baixar o olhar?
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Entremundos Quando entro no seu mundo, eu gosto de prestar atenção. Ouvir cada detalhe e ver a sua expressão. O que faz o seu olho brilhar? O que te faz baixar o olhar? Eu não quero a síntese. Eu quero todo o enredo: qual o reflexo de cada momento? Me mostre, eu quero ver. Melhor, eu quero ouvir. Me deixe descobrir qual é a SUA palavra. Sim, aquela que você sempre usa quando está muito feliz. O que faz seu corpo fluir? Percorra lugares, caminhe até o cais. Fale onde a maré nos afoga. No silêncio, prometo não perguntar mais. Divido a minha corda. Segure a minha mão, me levanta desse chão. Sorrio onde a luz é plena. Contorne um a um os meus espinhos. Te juro não desistir na subida. Na descida, perdoe meus tropeços. Sim, estamos sozinhos no escuro. Eu tenho uma vela. Podemos acendê-la. Que tal uma fogueira? Me leve pro seu melhor lugar. Me deixe participar. Fale sobre o cheiro, o som e as cores. Viu? Te trago flores. Entre aromas e sabores, agradeço a viagem entremundos. Mesmo que, às vezes, mudo. Ainda que um pouco surdo. Talvez cego por segundos. Todos temos nossos vultos, sombras e sussuros. Está bem. Explorar mundos pode ser inseguro. Prometo respeitar o tempo da visita. Me disponho a retribuir a visita. JEscolhe aí: um vinho ou uma pizza. Me despeço em bom tempo. Enaltecermos a saída. Lembre, despedida é convite. Saio de mansinho, te solto com carinho. Um dedo de cada vez. Até que nossas mãos se soltem de uma vez. Pela primeira vez, eu olho para trás. Até mais. www.surrealizacion.com

A importância de se sentir ridículo Nesse mundo de imagens, submeter-se ao ridículo é um ato de coragem. Mas o que é o ridículo senão um potencial ato julgado pelo olhar? E mais, do outro que sequer sabe o que você tem pra contar.
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A importância de se sentir ridículo Nesse mundo de imagens, submeter-se ao ridículo é um ato de coragem. Mas o que é o ridículo senão um potencial ato julgado pelo olhar? E mais, do outro que sequer sabe o que você tem pra contar. Temos medo de nos mostrar. Dominamos nossos atos pensando que sua extensão poderá causar repressão. Valorizamos a opinião alheia sobre quem somos antes mesmo de descobrirmos quem somos. Parece coisa de louco, não? Rs Levamos a imagem que criamos de nós tão a sério. Nos levamos a sério mais do que deveríamos. São gestos contidos, jeitos de vestir podados. Personalidades encaixotadas e emoções totalmente perturbadas. Temos medo do julgamento porque, bem lá no fundo de nós, julgamos. O julgador em nós prevê o julgamento alheio. Livre-se do martelo. Você é o juiz da sua vida e de mais ninguém. Nesse caso, atenue a pena, leve em consideração o histórico de vida e faça o balanço. Seja gentil. Nossa gentileza conosco, reflete nos outros. Amor por seus próprios movimentos liberta você e o outro. Eu quero conhecer o verdadeiro você escondido atrás de palavras não ditas e gestos contidos. Seja ridícul@. Eu também sou. Feliz por ser quem sou.

Me perdoe Pelos meus privilégios. Pelos espaços que ocupei e pelos momentos em que não silenciei. Pelo fato de ter tanto preconceito mesmo sem perceber.
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Me perdoe Pelos meus privilégios. Pelos espaços que ocupei e pelos momentos em que não silenciei. Pelo fato de ter tanto preconceito mesmo sem perceber. Por favor, me conscientize de sua dor. Me diga que espaços estou perdendo de ver. Me mostre como posso te ajudar. Me mostre como posso te deixar falar. Tenho muito a aprender. Só posso fazê-lo através de você. Me conte tudo o que se passou. Ou não. Eu estou aqui. Pronta para ouvir. Quando o espaço de fala não me é justo de preencher, prometo aprender a silenciar. E se por acaso você quiser me abraçar, saiba que também estarei aqui. Receba minha gratidão pela sua existência. Pela possibilidade de sentir tanto além de mim.

Quem sou Eu? Um dia eu me fiz essa aparente simples pergunta. Me neguei a aceitar meu cargo, meu histórico escolar ou meus títulos para designar quem eu era.
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Quem sou Eu? Um dia eu me fiz essa aparente simples pergunta. Me neguei a aceitar meu cargo, meu histórico escolar ou meus títulos para designar quem eu era. Me comprometi a descobrir o que me fazia bem e como poderia despertar nas pessoas a importância de prestar atenção nos momentos simples da vida. Percebi cedo que as conquistas do mundo do sucesso tampouco preenchiam quem eu era. Senti a tristeza do desencantamento. O mundo por um segundo se torna um local escuro de se viver quando todo o seu foco é o dinheiro. Descobri em encontros inesperados, longas conversas que alternavam uma fala sincera e uma escuta comprometida o preenchimento de partes de quem eu seria. Percebi logo cedo o valor de uma troca. O profundo toque do amor em um abraço. Somos muito mais do que imaginamos ser. O mundo nos reserva tantos bons momentos quanto permitamos que ele apresente. Está tudo dentro de nós. Quem sou Eu? A pergunta mais enigmática, desafiadora e a única pela qual faz sentido viver.