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Frase de Erica Gaião

De vez em quando, de um modo inesperado, o baú das recordações é aberto e com ele vem a memória antigas sensações que lá, do lado de dentro, bem no fundo da alma, permaneceram esquecidas por um bom tempo. Pequenas caixas de sentimentos são abertas uma a uma, e delas são liberadas algumas das grandes emoções experimentadas; parte dos momentos vivenciados; percepções sobre fatos e acontecimentos que, por razões circunstanciais, caíram no esquecimento. Fragmentos de vida que um dia foram presença e hoje habitam um canto esquecido na obscura gaveta da memória. Detalhes íntimos, resgatados na poeira do tempo, que por alguns instantes assumem o comando e misturam velhos sentimentos e antigas emoções aos novos momentos. Nesses pequenos intervalos, entre uma sensação e outra, tem-se a impressão de que tudo está no mesmo lugar, de que o tempo, sempre implacável, perdeu o controle sobre as circunstâncias e parou exatamente no instante das recordações. Passado, presente e futuro ocupam o mesmo espaço; razão e emoção tornam-se vizinhas sem fronteiras; ausência e presença dividem o mesmo significado. E tudo mais, que antes não fazia sentido algum, passa a coexistir na mais perfeita harmonia. A magia desse ir e vir de sensações está, justamente, na forma como elas acontecem. Muitas vezes manifestam-se subitamente, a partir de um lugar visitado, um sabor experimentado, um aroma inalado, uma palavra pronunciada… Valiosas miudezas, capazes de reavivar a memória dos sentimentos e impedir o exílio de alguns fragmentos de vida. Uma suave brisa de afeto tocando a alma com delicadeza! Um mar de esperança desaguando na imensidão do tempo. Preciosas lembranças que conferem à vida um contorno especial; que permitem plantar na alma sementes de amor que na primavera das emoções florescem sobre as incertezas. Do mesmo modo súbito que se manifestam, essas deliciosas sensações se afastam sem sequer deixar vestígios de presença. Retornam ao velho baú das recordações, lotado de pequenas caixas de sentimentos. Ficam lá, do lado de dentro, bem no fundo da obscura gaveta da memória, onde os verdadeiros tesouros, de grandes emoções experimentadas, nutridas de amor e esperança, são esquecidos e empoeirados pelo tempo.

Erica Gaião

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Muito do mesmo cansa, não é? Andei cansada também, desejando surpresas boas, daquelas de tirar os pés do chão e levar a cabeça até as nuvens. Desejei a ousadia e o espaço. Desejei o mundo inteiro dentro de mim. Mas uma certeza mansa me diz que algumas das melhores surpresas só vêm ao nosso encontro no tempo certo. Enquanto isso não acontece, nos divertimos com a rotina. E escrevemos para desafogar a alma e libertar os desejos

Os meus avessos são os mais reveladores e o não estar é o que me faz mais presente em mim mesma. Porque quando não estou, estou sendo… Sendo o que? Isso não importa. O importante é se misturar nas coisas e sair delas viva. Às vezes é preciso se perder de si mesmo para, enfim, se…
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Os meus avessos são os mais reveladores e o não estar é o que me faz mais presente em mim mesma. Porque quando não estou, estou sendo… Sendo o que? Isso não importa. O importante é se misturar nas coisas e sair delas viva. Às vezes é preciso se perder de si mesmo para, enfim, se encontrar…

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Às vezes os pensamentos voam até o lugar onde não devem estar, mas eu volto. Sempre volto. Porque a fé em algo melhor me faz voltar. E isso é voltar pra casa. É sentir-se em casa, não é mesmo? Porque lá moram essas "falsas alegrias". E eu “quero esvaziar a mente e fazer ir embora toda dor". E aqui, dentro de casa, bem perto do que sinto, tento adornar a vida louca, incerta e cotidiana. Aqui, dentro de mim, é o lugar onde deve estar o meu coração. Porque "o coração está onde está o seu tesouro".