Frase de Paulo Henrique
“Nossa senhora das paixões perdidas, Mãe e padroeira das almas desiludidas, Citou a tua reza crida, Estás na alma de todos os que sofrem pela amante acometida, Pela bravia ira da dívida, Que a certo momento a levou da vida, Mesmo relutando com a morte garrida, Traz-me de volta a amante querida” Amém. O homem o qual deposita o Amor, Dentro de qualquer coração algor, Aquece-se e também ao outro amado, Sendo assim um Amor por dois conjugado. Choro por quem se foi, Amante minha a quem eu amava, Tinha nela meu prazer, E do Amor dela me compadecia, Mas já não vive minha deusa, Foi tirada de meus braços, Ah já três anos, Tendo setecentos e trinta dias meu labor, Os quais sofro de Amor. Há muitos anos que a conheço, Durante todos esses anos sua presença me bastava, Eu me abstinha do vício, Amor que mais parece droga, É bom, vicia, e torna-o dependente, E então se encontra sem saída, Restando apenas entregar-se totalmente, E viver como um amante arraigado, perdido, inumerável. Não sei por qual razão, Se por sabedoria, ou mesmo insensatez, Mas acredito que por necessidade, Confessei-me a minha madre, Todos os meus anseios, e paixões, E como que por convenção ela os aceitou e perdoou, E com sua benção e permissão, deu-me sua mão, Hoje apenas para amarmos, Mas para o vindouro, Dividirmos o mesmo leito, Com a aceitação de Deus. Em Santa Igreja, Oferecemo-nos a crismar, Usando de áureos elos, Apresentando de nossos anelares, Cônjuges agora somos, Ambos guardadores, De apenas um cuidadores, Chama-se Amor, Filho de nós. Em meio a dores de parto, Ouve-se o Amor a pistar, E como um anuncio do Criador, De mais um milagre realizado, E pela sua graça entregue em meio aos homens, Mas um silencio ensurdecedor, Toma de conta da casa, Não ouve-se mais à Amor, Nem a parteira, Nem sua negrinha filha, Nem a Nanferda, Pois a mesma teve a vida ceifada, Uma infecção acometeu-a, E a levou. Restando apenas a mim e a Amor, Pai e filho órfãos de madre e genitora, Um compadecendo-se do outro, Há nele os mesmos olhos que os da mãe, Há em mim o mesmo carinho que da madre. Escrevo agora de Carvalhais de Baixo Em nosso Solar, Amor já está na idade de suas primeiras palavras, E está a brincar no pátio, Olho nas mesmas colinas E apenas lembro-me de nosso Romance, Amor, Vida e Morte. Que viva pra sempre, Nanferda, Amor e Nossa Historia.
No pensador.ai desde