Frase de Leonardo R. Pessoa
Poeta e a Casa do Mundo No domingo, o sol se espicha e se esconde. O astro luminoso, solitário, vai se perdendo no horizonte, enquanto o poeta, quieto, se perde dentro de si. Na pausa, chega em casa, mas a casa é estranha. Uma dúvida o atravessa: Será que aqui é minha morada ou apenas o lugar onde me deixei cair? Essas paredes me guardam ou apenas me observam, como a um estranho? O silêncio, sempre atento, não diz nada. Um raio de sol aparece pelas frestas, tímido, suficiente para espalhar luz por todo o interior. O poeta sorri, como quem encontra um velho amigo, e se ergue. Renascido, momentaneamente, pensa que a vida é mais, mas só por um instante. As paredes são companheiras caladas, que sabem muito, mas não falam. Aqui, o poeta ainda tenta ser inteiro. "Esta casa é o meu peito", diz o poeta. Sai para fora de si. Respira. No breu, sente a frescura da noite. Nota as estrelas lá no alto, tão pequenas e, mesmo assim, tão vastas. O poeta se vê como um grão no deserto, um grão entre vários grãos. Volta para dentro, com a alma um pouco mais cheia. Não está sozinho, nunca esteve. O mundo é a casa do poeta, e ele, um pedaço dela.
No pensador.ai desde