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Frase de Carlos Alberto de Souza Santana

A invenção das cores Ainda viveremos janeiros apressados quentes e ensolarados e se formos ligeiros não chegaremos ao sol. O sol está presente, parado à nossa frente, apontando o navio no azulão da encosta. Hoje à noite, jantaremos o mar Fiaremos peixes em anzóis de milagres, atravessaremos montanhas, Andaremos sobre as águas ... Do outro lado da montanha é onde começa o mundo. Começarei a escalada... Chegarei ao mundo festivo Onde as cores foram inventadas. o sal o fogo deserto... carrilhões de estrelas O índio a taba o tambor... O que eu não puder conhecer, receberei em poesia. Meus primeiros passos começam em fevereiro. Desde então, não parei mais de errar. Observo carnavais febris, revejo fogueiras acesas, chuvas apagadas nas matas... Observo a lua, ouço o tal clarim de coturnos Persigo a malta, persigo a matilha, acordo a madrugada... Esses marcos ficaram na antessala dos meus sonhos. Em março, o Brasil recomeça novinho, debaixo de enxurradas. Depois que a chuva passar, teremos aulas nos vagões de memória teremos trovões turbinados relâmpagos em néon e ternuras com flores lágrimas e mortalhas. Novinho em folha, banhado no leite das luas encontrarei as primeiras palavras, quebrarei tratos, não irei ao primeiro encontro. Na maturidade saberei se foi desencanto com o que se perdeu. Depois de atravessar a montanha, subiremos ao outono. O outono é paciente. É bondoso. Não inveja. Não se vangloria... Não se orgulha! Como o inusitado que chegará bêbado, carregado nos braços das epifanias. O livro se abrirá e se desdobrará sem vida. Depois do carnaval vestiremos a farda dos enunciados. Abril. Páscoa. Paixão. Fórmulas magicas de enfrentar o tempo. Joaquim Maria Machado de Assis, assistiremos aos teus sagrados renascimentos. Em tardes de desmaios, conhecerei Vivaldi, Deitado sobre as flores da Alemanha, voarei às mais belas flores... Gostaria de revivê-las, acolhê-las, viver entre as luzes coloridas de suas pétalas. Junho esfriou comigo. Chegou-me em pedaços, desenhando tapetes de carpas. Ele viu a montanha nevar. Ele viu as onças descerem à cidade elas foram conferir as novidades, foram ver vitrines, desenhar tapetes de Corpus Christi... Na Piazza Navona, ouvi o melhor pé de serra. A serra remontando cores, quadros em pedaços, desenhos montados na fé. Recolhi todas as moedas em meu chapéu, juntei-as às moedas da Fonte, não bebi as trevas, fui gastar em apostas no Coliseu. O bagulho ferveu. Pó de todas as serras, baião de muitos doidos... Julho ficou emocional. O veio fino, o vento frio, o vinho seco, corações tristes, adocicados, trouxeram invernos molhados... Meu filho já havia chegado Minha mãe já havia nascido A graça nasceu em nossos braços. Tivemos gosto em trazê-la. Molhei seu rosto na chuva fina de agosto observando os automóveis parados, olhando a chuva. A música de um acordeom deslizou em meus dedos. Setembro nos atravessou com fanfarras. Eu me lembro de tudo. Finjo esquecer, mas a primavera chegou em meu quintal, e um escorpião partiu de dentro do meu quadril. Outubros virão e trarão novidades. Acenderei montanhas geladas acenderei o meu cigarro na pedra de luz. Em casa, brotaram fileiras de Anjos. Éramos nove. Nove, sempre seremos. Novecentas bocas com fome. Novembros de amores. Revólveres com flores, servindo de arranjos. Ossos nobres. A fila, que já era enorme, cresce na sopa de pobres. os Açores trouxeram as cores em odres plenos. Dezembros vazios, deslembramos os melhores atores. Que tristeza! Que desamor! Humanos, somos iguais em maldades. Diferentes no amores. mais um ano se foi. Abro o calendário anual, ausculto suas páginas e vejo vir vindo de dentro... Vem veloz e vai atravessar o espaço, vai acender a pira do mundo... Sinto seu turbilhão das cores. É o futuro! O que será de nós no futuro? Não sei. Sei que é o futuro e lá estaremos. CK

Carlos Alberto de Souza Santana

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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