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Frase de Ítalo Diblasi

Eros manda avisar que não habita parlamento Que o amor não é uma social-democracia Que onde dois são dois a discórdia faz ninho Que o livre-arbítrio é a desculpa da apatia Que o tirano e o escravo são gêmeos siameses

Ítalo Diblasi

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Pensador.com

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Sonhei com uma cidade submersa que desconhecia luz e era habitada por estranhas criaturas fluorescentes que sentiam fome e amor, mas sobretudo fome, e adornavam as almas com cantos de guerra e silêncios rompidos à chibata mas havia alma e isso bastava porque na superfície nós não tínhamos nem isso, e o sonho desdobrava-se num turbilhão de imagens em que eu via o amor ser inventado e escurecer e as trevas eram tudo e eu dormia e desesperadamente sabia que ninguém viria coroar minha agonia porque acordávamos todos os dias e quem quer que quisesse viver teria de saber que aqui não se sonha, não, não se sonha sem custo e o meu custo, tão doce e terrível, era a loucura daquela cidade que já desaparecia outra vez e a insuportável luz volvia com a realidade e tudo o que se podia fazer era secar os olhos e observar o sol dormir atrás do mundo

Hoje é o aniversário da execução de García Lorca e se alguma coisa mudou desde então, foi pra pior
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Hoje é o aniversário da execução de García Lorca e se alguma coisa mudou desde então, foi pra pior eu estou na Central do Brasil esperando que alguém me ligue com uma notícia boa não tenho vontade de voltar para casa não tenho vontade de ir trabalhar não tenho vontade de quase nada e espero me apaixonar nos próximos minutos há qualquer coisa de perverso em tudo isso penso em Antônio Conselheiro e em seu cadáver profanado a santidade do mundo é sempre mais perigosa que qualquer diabo uma vez o eremita me sorriu em uma carta de tarô e desde então tenho colecionado abandonos ocorre-me que talvez estejamos vivendo o apocalipse

Havia crescido e era definitivo: já tão banal o forte gosto
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Havia crescido e era definitivo: já tão banal o forte gosto da aguardente de velhos tempos coisa alguma nem o corpo também a pele manifesta seu devir extingue-se, camaleoa de máscara em máscara o bruto corpo da árvore castigada ao cair das folhas. Cresci perdi castelos e pudores perdi sorrisos, sim perdi favores deixei aos sóbrios a vitória sobre o tempo ganhei silêncios & temores ganhei revolta quando mais queria calma ganhei suor e não o pão ganhei o Ar a plenitude do hemisfério a anarquia nos trópicos ganhei perdi ganhei & perdi uma metralhadora de espantos em eterno ir e vir