Frase de Fernando Pessoa
Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia. Todo o esforço é um crime porque todo o gesto é um sonho inerte. As tuas mãos são rolas presas. Os teus lábios são rolas mudas. (que aos meus olhos vêm arrulhar) Todos os teus gestos são aves. És andorinha no abaixares-te, condor no olhares-me, águia nos teus êxtases de orgulhosa indiferente. E toda ranger de asas, como dos (...), a lagoa de eu te ver. Tu és toda alada, toda (...) Chove, chove, chove... Chove constantemente, gemedoramente (...) Meu corpo treme-me a alma de frio... Não um frio que há no espaço, mas um frio que há em vir a chuva... Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.
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Fonte e informações de autoria
Pensador.com | Fonte: PESSOA, F. Livro do Desassossego. Vol I. Coimbra: Presença. 1990. p. 128 | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.
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