Frase de MarcileneDumont
Outono Há dias em que acreditamos que nada se move, que o cinza se instala e o vento só traz despedidas. Mas o outono sussurra que a mudança não chega de repente: ela começa em pigmentos, em tons que ardem nos olhos — laranjas, vermelhos, amarelos, um fogo silencioso antes da queda. As folhas cedem devagar, soltam-se em coragem, aceitam o chão como quem aceita o próprio destino. A árvore, nua, não é fraqueza — é força em repouso, guardando em silêncio a seiva da próxima primavera. Assim somos nós: precisamos perder camadas, despir memórias, para que o novo encontre espaço. Resiliência não é resistência: é confiança na passagem, é coragem no cair, é força no recomeçar. O outono nos ensina: a beleza também está no processo da despedida.
No pensador.ai desde