Frase de Aden Brito
Entre aromas refinados De impérios distantes, sedentos, Perfumes árabes, densos, Que prometem esquecimentos. Mas nenhum deles alcança O abismo dos teus momentos. Eduarda, teu cheiro não passa, Ele fica, invade, insiste, É presença que domina Mesmo quando não existe. Perfume que marca a pele E na memória persiste. O cheiro mais cheiroso, amor, Não vem de frasco ou ritual, Vem do teu cangote quente Quando o tempo fica desigual. Ali o mundo silencia, Ali eu deixo de ser racional. Teu cangote é território Onde a razão se rende nua, Mistura de calma e perigo, De fome que não recua. Um cheiro que pede boca, Um silêncio que continua. Quando me aproximo lento E respiro tua pele, Meu corpo aprende verdades Que a palavra não revele. É desejo que não grita, Mas que queima, fere e impele. Eduarda, teu perfume É chamado sem perdão, É vontade que não pede, Só toma o coração. Cheiro de “fica mais um pouco”, De “não solta minha mão”. Entre tantos aromas caros Que o mundo insiste em vender, Teu cheiro é vício doce Que eu não quero perder. Não me deixa inteiro… Mas me faz viver.
No pensador.ai desde