Frase de Miriam Da Costa
* Segundo as estatísticas, em geral, os livros mais vendidos no Brasil em 2025 foram os da série de colorir Bobbie Goods e Café com Deus-Pai. 📚📖 🇧🇷 Diga-me que livro lês e vos direi quem és… ou em que ponto do cansaço, da inércia mental e do fanatismo chegastes. Quando os livros mais vendidos dizem mais sobre alívio do que sobre enfrentamento, mais sobre anestesia do que sobre consciência... é preciso ouvir o sintoma, não para zombar e rir dele, mas para compreendê-lo. Colorem para silenciar o mundo. Colorem para não pensar demais. Colorem porque a realidade tem exigido mais do que conseguem suportar sentir e pensar. E tomam café com Deus não para dialogar com o divino em profundidade, mas para buscar consolo rápido, uma fé instantânea, em doses diárias, como quem precisa sobreviver ao dia seguinte sem desabar. Nada disso é pecado. É diagnóstico. O que assusta não é o sucesso dos livros de colorir nem da espiritualidade de bolso, mas o vazio de pensamento crítico que eles revelam quando ocupam, sozinhos, o topo das estantes e das consciências. Ler, hoje, parece menos um ato de expansão e mais um pedido de socorro. O brasileiro médio não parou de ler por falta de tempo ou de vontade. Parou porque está exausto. Exausto de ansiedade. Exausto de tudo e do nada. Exausto de si. Por isso escolhe livros que não confrontam, que não arranham, que não ferem, que não exigem atravessamento interno. Diga-me que livro lês e eu direi se buscas conhecimento, fuga, sentido ou apenas descanso da dor e de ti mesmo. Talvez o desafio do nosso tempo não seja vender mais livros literários, críticos ou filosóficos, mas reaprender a ler e interpretar o mundo sem precisar colorir suas bordas para esquecer suas veias e entranhas... e nem tomar café, almoçar, lanchar, jantar ou beber chá com Deus, com Zeus, com Alá, com Buda, com Zâmbi, com Krishna , com Jesus, com Adonai ou seja lá o nome que tiver... apenas para que o mundo doa menos e faça pensar e raciocinar ainda menos. ✍©️@MiriamDaCosta
No pensador.ai desde