Frase de Renée Venâncio
Sendo eu quem eu sou nem sempre Um dia um grito, um dia mudo Exclamo e duvido, aos berros e sussurros Debruçado sobre um travesseiro nu Despindo meus sonhos sobre a velha fronha azul Bordada em dias tristes pelas mãos zelosas Da mãe que morreu abraçada ao tempo Por tudo e teu calor, ora ausente Transpiro loucas palavras que soam mal Blasfêmias indigestas, indecorosas e tal Outono insólito no inverno cinzento E a bruma doce envolvendo meus pensamentos Com o mesmo carinho e amor Que eu sempre te dediquei O que pensar de mim Contido aqui, nem sei onde Aparentemente, assim: imóvel No lugar exato onde a tristeza se esconde Aqui estou eu, roto e derrotado Usando minhas mãos trêmulas Para tecer as tranças de uma poesia pobre Que se espalha despudoradamente Nas páginas em branco da minha desilusão Falta-me inspiração, eu sei Mas não me tenhas como um ser dormente Pois é versejando que eu me correspondo Com os seres estranhos Que habitam as minhas entranhas É assim que o brado da minha alma ecoa Pela silenciosa madrugada da solidão O poeta é um solitário jardineiro Que cultiva sonhos e palavras em seus canteiros Ele detém o dom de conversar com as flores Sobre as quais se debruça em cuidados Sem gritos e sem espalhafatos Sempre em silêncio, mas nem sempre sensato Vale-se dos sinais e da linguagem do vento E, aos poucos, tudo se vai esquecendo Porque tudo se esquece com o tempo Assim como tu te esqueceste de mim
No pensador.ai desde