Frase de Carlos de Castro
A SACOLA DA SAUDADE Era um peregrino de pés a caminho De um santuário que ele inventara Em trovoadas da vida dura que achara, Agora em destino de copos de vinho. Carregava na sacola o seu tesouro Ganho em tantas horas de penar, Não eram pérolas, jóias nem ouro, Somente imagens antigas do seu amar. E lá ia o vulto cambaleando na estrada, Falando sozinho num dialeto seu, Que só o entendiam as aves do céu. Às tantas, exausto, na berma parou, Tirou da sacola o seu tesouro e chorou, Beijando a imagem da mulher amada. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-01-2024)
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