Frase de MarcileneDumont
Minha mãe tem cabelo de algodão-doce cansado, daquele que o tempo foi soprando devagar… e mesmo assim ainda adoça o dia de quem chega perto. O rosto dela é estrada de barro batido, listrado pelas chuvas que já enfrentou… mas firme, como quem nunca saiu do lugar que ama. O café dela nunca é só café, é colher batendo na xícara marcando o tempo… como relógio simples ensinando a vida a não parar. Minha mãe mexe o açúcar devagar, como quem tenta adoçar o mundo… sem fazer barulho pra não assustar a dor. Ela é dessas que conversa com planta, e jura que o sabiá responde… porque quem tem fé entende até o silêncio cantar. Minha mãe é livro que não pode empoeirar, porque cada página esquecida… é um pedaço da gente que deixa de existir. Saudade dela não é ausência, é presença que não cabe no abraço… e por isso transborda pelos olhos. Tem dia que ela é rede na varanda, balançando entre o cansaço e a fé… sem nunca deixar ninguém cair. Se um dia ela for embora, vai ficar espalhada nas pequenas coisas… no barulho da colher, no canto do sabiá, no balanço de uma rede.
No pensador.ai desde