Frase de André Merez
Outro poeta O poeta sempre é outro não esse que se propõe. Não essa fissura aberta no intermeio do verso, não esse suposto vago. O poeta é outro, sempre outro. À parte da teogonia de Hesíodo, só essa camada de fibras e folhas, só um ser assim sem as premissas, o poeta não é esse suposto e visto. O poeta é outro, sempre novo. É sempre esboço, tem de ser, sempre garatuja que se mostra, busca que se deixa exposta, desencontro, aniquilamento. O poeta não é todo sentimento, às vezes ele é régua e compasso, às vezes é aço, ferro e cimento, pátio vazio, concreto em branco. O poeta é outro, sempre torto. Viés de caminho, voz de dentro, oblíquo, adunco, gauche, penso. A dissidência, a vida mundo, vida poesia nos pedaços desse tempo.
No pensador.ai desde