Frase de André Erotides de Arruda
Oração de um pai que não crê Eu não acredito em Deus. Não consigo. Não vejo necessidade, nem presença. O mundo, pra mim, se explica por outros caminhos — razão, ciência, acaso talvez. Mas mesmo sem fé, todas as noites, me ajoelho ao lado da cama dos meus filhos e oro. Não oro por mim. Não peço nada pra mim. Minha oração é por eles. É por amor — só amor. Porque quando estou com eles, abraçado, sentindo o calor pequeno e infinito desses corpos que nasceram de mim e que hoje são meu mundo, eu percebo uma coisa estranha: Não acredito em Deus, mas desejo que Ele exista… Nem que seja só pra cuidar deles. É contraditório? Talvez. Mas o amor de um pai não precisa ser lógico. Ele é visceral, instintivo, manso e feroz ao mesmo tempo. E então eu falo com Deus. Falo mesmo não crendo. Peço: cuida deles. Peço: livra-os do mal. Peço: que eles cresçam fortes, felizes, bons. Agradeço também — por cada risada, por cada abraço, por esse instante sagrado que é vê-los dormindo em paz. Não faço isso escondido. Não é um ritual meu. Faço com eles, por eles. Eles acreditam, a mãe deles também. E eu não quero roubar deles esse mundo invisível que tantas vezes conforta. Não oro por fé. Oro por amor. E talvez, só talvez, esse amor que sinto seja a coisa mais próxima de Deus que eu jamais vou tocar.
No pensador.ai desde