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Frase de Nivea Almeida

EU NÃO ACREDITO EM MILAGRES “De repente, no meio do mar revolto, o barco de um pescador solitário vira e o terror toma conta. Assustado, começa a gritar pedindo socorro. Gritando e clamando, pede a Deus para socorrê-lo. Ele tinha muita fé, Deus o ajudaria. Poucos minutos depois, uma grande embarcação o localiza, aproxima e oferece auxílio. O pescador, envolvido em suas orações, nega a ajuda, dizendo “Deus irá me socorrer, ele nunca iria me desamparar”. A embarcação se afasta, mesmo após muito insistir. Pouco tempo depois, um helicóptero joga uma longa corda com um colete salva vidas, e o pescador, novamente, declina e garante o amparo dos céus. Horas depois, exaurido de suas forças, o pescador se rende às águas e se afoga. Seu corpo atinge o fundo do mar. A fibra que enlaçava o espírito ao corpo se arrebenta, e espiritualmente falando, aquele homem chega aos céus. Um ser de luz o recebe de braços abertos. Logo que o bom homem se dá conta do seu passamento, revolta-se e pergunta, muito aborrecido: “Por que Deus me abandonou? A Bíblia garante que ele nunca abandonaria um filho seu. Ele me deixou padecer nas águas, e eu com tanto a viver, tanta juventude, uma família para criar? Que Deus é esse que me desamparou quando eu mais precisei dele?” O ser angelical, com sua voz suave e melodiosa, apresentou um início de descompostura e replicou: “Sim, aqui de cima nós ouvimos o seu pedido. Mandamos uma embarcação e um helicóptero para salvar você, e mesmo insistentes, você recusou toda a ajuda. Você acreditou mesmo que Deus sairia daqui pessoalmente para salvá-lo? Deus tem mais o que fazer.” - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ⛵⛵⛵ Todos nós passamos por situações que fogem ao nosso controle. Em um momento pessoal bastante peculiar, ouvi de um renomado psiquiatra a seguinte frase, que ficou marcada para sempre em minha memória: “Não existe o extraordinário. Não conte com isso. Devemos compreender o ordinário e saber conduzi-lo da melhor forma possível. O extraordinário é somente uma forma de ilusão ou consolo para a mente que sofre. O real é sempre o ordinário.” Primeiro, vamos compreender o que significa “ordinário”, para não gerar confusão. Ordinário é aquilo que ocorre conforme o costume, à ordem natural, comum, que se repete regularmente e que se faz presente a todo instante. É o real, o factível. Já o extraordinário é o outro lado da moeda, o que podemos chamar nesse texto de “milagre”. Não acreditar em milagres é uma opção que independe de fé, crença, religiões e de maneira alguma torna uma pessoa fria e cética. Bem... Pode até acontecer, deixa eu explicar melhor. Essa “filosofia de vida” baseia-se também em coisas que eu já vi. Já vi um desempregado acordar toda madrugada para rezar pedindo um emprego, mas nunca amanhecer disposto a entregar um currículo sequer. Já vi famintos estenderem as mãos para o céu pedindo alimento, mas, desacreditados da chuva, foram incapazes de arar a terra para enterrar as sementes agora apodrecidas. Já vi moças bonitas e prendadas fazendo simpatias para conquistar um bom marido, mas não perdiam o hábito de ir em festas, baladas e orgias onde só frequentavam cafajestes. Já vi senhoras obesas acendendo velas para perder peso, mas, em seus aposentos, nenhum vestígio de tênis, e, em sua geladeira, toda sorte de massas, doces e gordices. Já vi doentes desenganados clamando aos santos a sua cura, mas, em tempos de saúde, trataram como desimportantes os exames preventivos. Já vi os familiares desses mesmos doentes buscando o milagre onde quer que ele estivesse, mas esquecendo do horário do medicamento, esquecendo de virar o corpo para não criar escaras, descuidando da higiene e da boa alimentação do enfermo, essenciais para a sua recuperação. Já vi pais suplicando o livramento do filho do mundo das drogas, e, por estarem estressados demais com aquela situação, entupiam-se de medicamentos de tarja preta... Ou fumavam um cigarro atrás do outro. Já vi mulheres procurando líderes espirituais para salvar o próprio casamento, mas se esquecendo de que a metade do problema com o esposo era culpa dela. Então, depois de ver isso tudo, passei a acreditar. Acreditar na medicina e na ciência. No cérebro que reage aos estímulos e aumenta o seu potencial quando é necessário. No dinheiro que vem do trabalho suado. Eu acredito que não falta trabalho para quem se esforça, se capacita, se bem relaciona, que não tem preguiça. Eu acredito que não faltam bons homens e boas mulheres para se relacionar quando se procura nos locais corretos. Eu acredito que o amor-próprio salva vidas, principalmente quando ele é acompanhado de uma boa alimentação, boas noites de sono, exercícios físicos e medicina preventiva. Eu acredito na educação e na criação pelo exemplo. Eu acredito na força do AMOR e no pensamento otimista. Eu acredito que devemos fazer a nossa parte, e isso já é o início da mudança que cada um de nós necessita, e consequentemente, da que o mundo precisa. Deixar de acreditar em milagres fez com que eu enxergasse um mundo com muito mais possibilidades. Retirou-me da ilusão e da penumbra cinza do extraordinário e transformou-me em uma pessoa muito mais estratégica, criativa, realista e prudente, e que acredita ainda mais na Vida, buscando vivê-la plenamente. Pois a VIDA, meu amigo, por si só, já é o maior de todos os milagres... [Nivea Almeida, 23 Dez 2017]

Nivea Almeida

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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REUNIÃO POLÊMICA - Não peça ajuda! - Respondeu o Orgulho. - Isso só te deixará mais cansado! - Afirmou a Preguiça.
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REUNIÃO POLÊMICA - Não peça ajuda! - Respondeu o Orgulho. - Isso só te deixará mais cansado! - Afirmou a Preguiça. - Deixe para amanhã! - Disse a Procrastinação. - É impossível! - Replicou a Incredulidade. - É muito arriscado! - Falou a Dúvida. - É absolutamente inútil! - Respondeu a Razão. - Não compartilhe isso! - Afirmou o Egoísmo. - O outro sempre conseguirá primeiro! - Disse a Derrota. - O do outro sempre será melhor! - Replicou a Inveja. - Fique onde está, não adianta! - Falou o Desânimo. - Você não é capaz! - Respondeu a Baixa Autoestima. - Não faça nada a respeito! - Afirmou a Estagnação. - Isso só te deixará doente! - Disse a Autopiedade. - Não perca o seu tempo com isso! - Replicou o Imediatismo. - Você só pode ser louco! - Falou a Sanidade. - Nem procure saber! - Respondeu a Ignorância. - Você perderá tudo o que lhe resta! - Afirmou o Medo. - FAÇA! SÓ DEPENDE DE VOCÊ! - Reagiu a Força de Vontade.

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IRONIA CRIATIVA Hoje a Paulinha amanheceu “louca varrida” e implorou para eu falar dela aqui. Paulinha é o nome de batismo para uma voz que fala com certa freqüência no meu ouvido direito, desde a minha infância. Ela é extremamente inconveniente. A sua voz esganiçada aparece como se estivesse lendo um texto escrito, chego a perceber as pausas das vírgulas e as ênfases nas partes mais importantes. A dita cuja não existe, mas, do nada, começa a “ler os textos” enquanto eu estou no chuveiro, dirigindo, tentando dormir, assistindo alguma série... No meio de reuniões importantes do trabalho ou quando, na sala de aula, dou um tempo para os alunos fazerem alguma atividade. Na verdade, a maluca lê textos AINDA NÃO ESCRITOS, e aí está a questão. ELA LÊ PARA QUE EU ESCREVA! O meu processo criativo é assim descrito. A Paulinha tem um apetite fora do comum e gosto bem peculiar. Vive faminta! A mocinha é alimentada por cores de flores, cheiro de chão molhado pela chuva, pelo abrir dos olhos depois de um saboroso beijo de amor... Pelo sorriso da minha filha, por um momento de chateação, um longo gole de um bom vinho, uma nova paisagem durante uma viagem, pelo gosto forte de um café, pela minha TPM... E por tudo o que gere alguma forte emoção. Mesmo bem alimentada, a moleca às vezes some por dias, semanas... E ela é bem desobediente, nunca vem quando eu preciso ou chamo (ou quando estou participando de algum concurso de contos ou tenho algum texto encomendado, por exemplo). Minha memória é terrível, fato, então para transcrever o que ela dita, tenho sempre à mão o gravador do celular, um papel para anotação, um bloco de notas... Já documentei as leituras dela em guardanapos no meio de uma DR ou já interrompi conversas importantes para registrá-las, pois a garota já tinha “me feito o favor” de me desconectar dali, depois de tanta tagarelice. Posso recordar que, na adolescência, eu escrevia ditados da monstra usando batom em espelhos de banheiros alheios, e poemas inteiros nas camisas dos colegas, em final de período letivo. Essa fantasma surge frequentemente no meio da madrugada, entre um pestanejo e outro (a diaba é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes motivos das minhas noites de insônia). O problema é que, escrava dessas leituras da garota, se eu não anotar... A “coisa toda” some em um piscar de olhos, evaporando no ar... Para nunca mais. São leituras textuais individuais, únicas, exclusivas e que não permitem replay. Será um dom? Um cárcere? Um delírio? Insanidade? Um mistério ou feitiço? Acho que se resume na verdade em uma grande ironia criativa. Obs.: A Paulinha nesse momento está aqui se revirando em gargalhadas. Ela já estava cansada de só observar eu levando o mérito e recebendo elogios, sendo que a grande artista na verdade é ela.

DEIXE-A CAIR! – Mamãe, você está chorando? Mesmo disfarçando ela percebeu. De mãos dadas na porta de saída do restaurante, observávamos a chuva que havia iniciado e nos impedia de seguir.
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DEIXE-A CAIR! – Mamãe, você está chorando? Mesmo disfarçando ela percebeu. De mãos dadas na porta de saída do restaurante, observávamos a chuva que havia iniciado e nos impedia de seguir. – Sim, meu amor, mamãe está ficando velha e boba e se emocionou com a chuva. – Reparei então, pelo seu semblante, que não havia entendido bem a minha resposta. Continuei: – Chuva é riqueza para nosso povo tão pobre de água. – Mamãe, mas estamos sem guarda chuva. Como chegaremos até o carro? Está bem forte. – Alertou a minha pequena, sempre tão prática e racional, e naquele momento também preocupada com o horário do prometido cinema. – Não se preocupe, filhinha. Para a chuva, temos todo o tempo do mundo. Deixe-a cair! O Sertão está com tanta sede… E vê-la assim, tão densa, é bem melhor do que qualquer filme, tenha certeza. Nesse momento, ajoelhei para ficar da sua altura. Eu poderia ter só me abaixado, é verdade, mas era de joelhos que todo o meu Ser queria estar naquela hora. Na perspectiva visual da minha menina, pude observar ao longe um grupo de jovens em algazarra tomando banho na chuvarada, gritando, cantando, dançando e pulando poças. Nos edifícios, várias pessoas debruçadas nas janelas, sorrindo e observando a água cair. Os carros passando, vagarosamente, vidros entreabertos e os “caronas” com as mãos para fora (pelo jeito buscando sentir as grossas gotas ao encontro da própria pele). Um senhor que passava ali portava um guarda chuva fechado (e não parecia ter a intenção de abri-lo), e o vi pedir muito sorridente um “saquinho plástico” ao garçom do restaurante que estávamos, decerto para proteger o celular enquanto enfrentasse o aguaceiro. Cada um demonstrando a sua emoção de um jeito diferente. Continuamos ali paradas por mais alguns minutos, abraçadas, nos deliciando com o cheiro, o som e a visão daquele precioso evento, que alegrou sobremaneira o nosso domingo.

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COMERCIAL DE MARGARINA COLETIVO . Em uma quarta feira qualquer Juntei palavras em um texto que mudaria a vida Colei madrugadeira pelos muros da cidade. . Amanheceu. Quem leu, boquiabriu A lavadeira deixou a trouxa cair O ciclista por pouco não trombou no poste A correria foi tanta Que ventou nas saias das meninas O semáforo piscando feito luz de Natal O rasante do pássaro assustou o guri Que caiu para trás com o peso da mochila O caderno se abriu E folhas escritas bateram asas naquela direção... Nuvens escuras foram se despedindo O sol morninho arrancou suspiros e agasalhos (Os ousados despiram também outras partes) Moças desprenderam cabelos, retocaram batom O casal tímido resolveu se abraçar A senhorinha girando a bengala no ar Uma música começou a tocar... Aaah! . E em uma quarta feira qualquer (Se contar ninguém acredita) O tempo parou, o povo dançou E por um minuto eterno a tristeza se foi Em fileiras sincronizadas Mãos levantadas, corpos embalados No compasso da música Uma chuva multicolorida caiu do céu Cada gota pintava o cenário Um sabor diferente em cada cor... Línguas de fora, braços em ondas Toda dor subindo, girando em espiral Desconhecidos se abraçaram Pretos, brancos, ricos ou pobres Motoristas estacionando os carros A vaidade, os falsos pudores, a vergonha Arrastados pela enxurrada multicor Sorrisos escancarados, mãos dadas Ritmo que todo mundo sabia de cor . E em uma quarta feira qualquer (E pela primeira vez na história) Um comercial de margarina coletivo O ódio, o rancor, a inveja, a desumanidade Feito lagartixas cascudas subindo os muros Explodiram como pipoca em óleo quente Desabrochando flores perfumadas Confortando o coração de toda a gente...