Pular para o conteúdo

Frase de Carlos de Castro

⁠NAUFRÁGIO Quem me leva para Galiza? Meu barco ficou atolado Quase afundado Na Boca do Inferno De Cascais da Costa da Guia Inda quase a noite era já de dia Com o leme despedaçado Quando eu apontava no caderno O norte onde eu queria Alcançar a terra do meu fado. Quem me leva para Galiza? Às minhas amadas ilhas de Cies e Ons Mágicas de vidas de outros sons E tantas saudades das Sisargas E a amada de San Simon Onde repousa o coração Do amigo das costas largas Que a onda arrebatou em Medal Na trágica noite do temporal... Quem me leva para Galiza? A terra verdadeira dos meus astros... Se lá não voltar em vida Certinho será na muerte Consorte Requerida E então abraçarei meus avoengos Velhinhos mas solarengos Os meus saudosos Castros. (Carlos De Castro, in Boca do Inferno de Cascais, 02-07-2022)

Carlos de Castro

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Carlos de Castro

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
Continuar lendo

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
Continuar lendo

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)