Frase de Joemar Rios
Degraus da Vaidade A vida é feita em degraus, e cada degrau, uma entrega. Subimos com esperança, mas a escada é feita de brumas. O primeiro degrau brilha com sabedoria, mas logo aprendemos que saber não salva. O tolo e o sábio partilham o mesmo pó, e o tempo apaga ambos os nomes. No segundo degrau, plantamos com suor, mas a colheita, por vezes, vai às mãos de estranhos. O herdeiro não labutou, mas ceifa o que não semeou. O terceiro é o do propósito — mas há planos que não nos pertencem. O Altíssimo ri dos acúmulos dos ímpios, que servem, sem saber, aos justos. O quarto degrau é o sucesso, espelho dos olhos alheios. Corremos por glórias vazias, esquecendo que pó não segura troféus. O quinto degrau é o da solidão dourada: o homem que junta, mas não se alegra, sem mãos que lhe toquem o ombro, sem olhos que o chamem de irmão. O sexto é a coroa da fama, que brilha até o trono se esvaziar. O povo esquece o nome do rei, e suas obras morrem com seu eco. O sétimo é o ouro que nunca basta. Quem ama a moeda, nunca ama o bastante. A alma faminta não se farta com cifrões. O oitavo é a cobiça — o desejo de sempre mais. Mas o que se contenta com pouco já possui o que o mundo inteiro busca. O nono é o riso sem alma, o som dos espinhos queimando em vão. O tolo se diverte com fumaça, e não percebe a cinza que resta. O décimo é o louvor aos perversos: morrem os maus, e recebem flores da mesma cidade que sofreram por seus feitos. E assim subimos os degraus, cada um ensinando o peso da vaidade. Mas mesmo em meio ao vazio, há sabedoria para quem escuta. Pois o homem sábio não nega os degraus, mas sobe por eles com olhos no alto — onde não há vaidade, só eternidade.
No pensador.ai desde