Frase de Carlos de Castro
NA NOITE Era noite escura, Tudo invitava ao descanso, Até o rugido do mar era manso, Convidando ao remanso. Nisto, o chiar de pneus no asfalto, Como um grito alto Na noite serena e pura Toda silêncio de negrura. Gritos e bebedeiras loucas na noite. Músicas tolas debitadas às paletes, Que mais pareciam um açoite Nos ouvidos, como foguetes Estourando nas retretes. Era uma discoteca na estrada, Urros de animais grotescos, No rebentar de fluidos Dos possuídos De duas patas quixotescos. E a noite ia avançando A chorar pelo seu descanso, Já em maré de balanço. Lembrou-se então, Com emoção, Dos tempos De outros tempos, Que era a dona do serão. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-10-2023)
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