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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

SOCIEDADES Demétrio Sena, Magé - RJ. Aquela turminha que tudo pode lá na escola, segundo as próprias leis, e decretou que nenhuma emenda lhes tirará o poder, está "pê" da vida com a outra turminha. No caso, a turminha de menor peso social; que não tem condições de se misturar; não tem nada para oferecer, e assim sendo, não merece respeito. A grande questão é que a turminha que tudo pode aprontou uma feia com a que nada pode, que não gostou nem um pouco, e a que tudo pode não gostou de a que nada pode não ter gostado. Complicadinho esse negócio, mas é por aí. Os algozes estão com trombas maiores que suas caras, em retaliação à forma exacerbada com que as vítimas reagiram. Como punição, a turminha que nada pode ficará um longo tempo sem desfrutar do privilégio, a honra ou a bênção de brincar com a que tudo pode. Isso deve ser amargo, porque brincar, ou até poder ficar perto da turminha que tudo pode não é para qualquer um. Trata-se de algo realmente precioso. Em resumo, a reação da vítima é o trunfo definitivo do algoz. A turminha que tudo pode julga que além de poder tudo, a reação anulou a ação cometida por ela que, além de certa como sempre, desta vez pode provar por "a" mais "bê", que foi vítima da vítima. Razão perfeita para todo mundo manter a tromba e mais uma vez não baixar a crista, mesmo porque, numa turminha que tudo pode, o que não se pode mesmo é não poder. Ainda bem que não existem aqueles ventos lendários das crendices de minha infância. Ou eles poderiam deixar a turminha que tudo pode fisicamente parecida com o que suas expressões sugerem. Imaginem vocês, um bando de animais de tromba e crista.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.