Frase de Alessandro Teodoro
Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras, a sua liberdade termina onde a minha paz começa. A Limitação Cognitiva e a Ditadura do Volume Talvez esperar bom gosto de quem não tem bom senso seja mais um distúrbio: pura limitação cognitiva. Porque não se trata apenas de preferência musical, mas da incapacidade de compreender que o mundo não é uma extensão do próprio quarto ou da sala, nem um palco particular onde todos são obrigados a assistir ao mesmo espetáculo. Não dá para esperar um bom repertório escolhido por puro capricho, antes de tudo, para invadir. O som que atravessa muros, janelas e a paciência alheia deixa de ser expressão cultural para se tornar imposição. E toda imposição é, em essência, uma forma preguiçosa de poder: a de quem não argumenta, não dialoga, apenas aumenta o volume. É verdade que o bom gosto é muito subjetivo. O que agrada a uns pode ser insuportável a outros. Mas o desrespeito ao bem-estar alheio não é questão de opinião; é um problema concreto de convivência, de civilidade mínima, de noção básica de que o outro existe e importa. Confundir liberdade com licença para incomodar é um erro muito comum — e perigosamente aceito. Mas qualquer imbecil funcional deveria ao menos perceber que, num mundo com mais de oito bilhões de pessoas, é impossível escolher vizinhos por afinidade musical ou paixão por ruídos. Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras. Exige entender que o direito de fazer barulho termina exatamente onde começa o direito do outro de ter paz. No fim, o problema não é o volume do som, o estilo musical ou a caixa potente… É a ausência de empatia caprichosamente amplificada. E quando o bom senso é desligado, não há playlist que salve a convivência. Que Deus nos livre dos que confundem alegria com euforia e liberdade com licença para nos incomodar.
No pensador.ai desde