Frase de Rozilda Euzebio Costa
Enigmas Um caminho longo e uma ponte que fala, um monte gigante e uma flor sob o sol, no coração do monte há um vulcão flamejante, o monte está a ponto de entrar em erupção, e já não sabe o que fazer com o seu fogo ardente, para que ele não exploda e queime a flor, que vive de admirá-lo em suas encostas. Extasiada está sempre aquela pequena flor, pelo arrebatamento que lhe causa o monte. Imagina que a flor tem o sonho de tocar seu coração, e o monte tem um desejo ardente de encurvar-se até tocar em suas pétalas para ali adormecer seu coração. Ao lado do monte está aquela ponte inquieta, sussurrando incentivos de partidas constantes, vem! Vem! A ponte chama a flor sem cessar. Como se a ponte também amasse a flor, e do pé do monte, a ponte a flor quisesse arrancar. Mas que nada! Que nada! Somente impressão! A ponte é apenas um enigma que abre a sua boca para reclamar, mas seus desejos claramente, a ponte não consegue expressar. No meio da ponte está adormecido o tempo, que nela, a sua fadiga foi descansar. Como pode o tempo no meio da ponte assim parar?! Cadê a força desse tempo que não deseja mais passar? Há um passarinho que seu bico não consegue calar, está sempre transportando assobios entre o monte e a flor, dia vai, dia vem, e o passarinho com seu bico cheio de assobios, leva aos ouvidos do monte as declarações de amor da flor, e desce de lá com o bico repleto de assobios do monte, para entregar fielmente aos ouvidos da flor. Mas até quando? Até quando?! Até quando o tempo na ponte vai descansar?! E por qual motivo o tempo não consegue despertar?! O monte até que tenta, se esforça para encurvar, mas o seu orgulho é ainda muito maior que o amor, que no seu coração sente pela pequena flor. E o tempo? O tempo até que tenta acordar, mas a ponte sem perceber segura o tempo, e no impulso de suas contradições e impasses, impede o tempo de despertar e mudar as coisas para sempre. Rozilda Euzebio Costa
No pensador.ai desde