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Frase de Vanessa Brunt

NÃO NOS RELEIO MAIS Se nos esbarrarmos por aí, não olhe para mim franzindo o cenho, não olhe tentando decifrar, dado que vou passar com a minha face quieta e tranquila de quem não tem mais tempo para escancarar os motivos do porquê não deu certo ou para reformular aquela longa lista que vislumbra o seu mau caráter. Não olhe fingindo também que achou normal. Na verdade, olhe como quiser, quem sabe posso até cumprimentar você, e caso isso ocorra, será, sem dúvidas, sem grandes gestos de reprovação. É que eu podia estar até hoje rugindo aos quatro ventos o quão covarde você foi. Podia falar das promessas vazantes e da sua capacidade de deixar até o porteiro decepcionado com aquela cena ridícula da sua partida com direito a um forte bater dos portões, enquanto eu quem chorava e urgia embaralhando as palavras, perguntando como você havia tido coragem de fazer tudo aquilo de novo. Eu podia falar das mentiras absurdas, e das tentativas frustrantes em que você parecia acreditar nas suas próprias desculpas, como se achasse, em tais ocasiões, ser de fato aquele personagem, um que criou tão longínquo de quem é quando a máscara cai. Eu podia falar para as pessoas as partes que elas não viram, que só a minha dor conheceu, fragmentos que são ainda piores do que os que todos os já descrentes de você conseguiram na época, captar. Eu podia escrever centenas de textos, um sobre cada situação inacreditável que me propus passar pela esperança barata que comprei de você. Eu podia expor sobre aquela vez em que desviou os olhos e fingiu por mais de cinco minutos que não ouviu nada, mesmo tendo em mente a lembrança da sua audácia de citar dias antes que quem desvia o olhar e pensa muito para responder, provavelmente não é confiável. Podia dizer para os seus amigos para ficarem de olhos abertos, porque não duvido nada que qualquer um deles possa ser a próxima vítima dos seus surtos de vestir uma fantasia que não lhe é cabível. Podia chamar a sua mãe e sua família para conversar, e contar daquela festa em que você fez um teatro tão bem feito, que talvez a saída seja lhe matricular em um curso avançado de artes, ou em um psiquiatra. Eu podia continuar escrevendo este texto até dar um livro só de parágrafos de tudo que eu podia fazer e falar com o rancor do que você plantou de inadmissível em mim. Eu podia. Só que o seguinte é que não sinto mais necessidade de chamar a sua atenção para tentar receber algumas novas migalhas justificativas, tampouco sinto o desespero de lembrar tanto que devo esquecer a ponto de atrasar o árduo trabalho do tempo. Já não é mais a hora de rever o que ficou embaçado, a etapa de releitura está finalizada. Não ache que estarei sendo indiferente para que deixe em seus pensamentos o tanto de perguntas que já deixou nos meus. Não é um evento de vingança, paga na mesma moeda quem ainda faz as contas do troco, o que não é o meu caso. Não ache que estarei sendo educada para que afete alguma parte do seu ego intacto pelas vezes em que fiquei no chão frio sem reparar o tamanho do disparate. É apenas e somente, o fato de que tenho muita coisa para fazer, sem mais paciência para repetições. É apenas o meu cansaço do que nada acrescenta. É apenas, a maturidade. Ela nos acalma, nos leva a entender que não dá para consertar um carro quebrado pela milésima vez, melhor comprar um novo. Ela nos leva a querer somente o que impulsiona. Ela fez com que, eu simplesmente ingerisse e observasse que o mundo não tem os seus olhos e nem a sua cabeça errônea, ele tem muita gente que não vira as costas. Ele tem gente com princípios, gente com capacidade de crescer sem deixar rastros de sangue sujo por aí, e acima de tudo, tem gente que já alcançou o grau no qual estou: que liga mais para o curso de espanhol do que para um passado que já não faz a mínima diferença de quais tantos a mais segredos esconde. É que seguir em frente não foi difícil como eu imaginava a uns meses atrás, difícil mesmo foi estar com você, foi padecer e aguentar. Não quero mais respostas, as que preciso estão aqui, vêm de mim, são sobre o que sei, sobre as minhas capacidades, e estas verdades agora me bastam. O que vale é a minha consciência, que vive mais do que limpa, diferente do peso que o seu travesseiro tem que suportar. O que vale é a minha leveza e meu futuro. E a única certeza que tenho é que em nenhum dos dois tem espaço para você. Não existem mais linhas em branco, mais falta e nem mais brechas, apenas olho agora para um livro velho que de tão distorcido e empoeirado atrapalhou a minha vista e a minha respiração, deixando após o encerramento apenas um gosto maior em valorizar o oxigênio que recebo ao não fixar em obras polvorosas. Então, se nos esbarrarmos por aí, olhe franzindo o cenho, olhe tentando decifrar, e olhe até fingindo também que achou normal. Só não olhe pensando que vai conseguir despertar novamente a louca detetive que fez surgir em mim, porque será então, a primeira vez nisto tudo, que você se iludirá.

Vanessa Brunt

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A HORA CERTA Foi ali, Seu Moço. Que cansei de relutar. Naquela esquina ele abraçou todas as minhas dores estomacais e fez com que eu reparasse que nunca deixei de acreditar no bom da vida. E foi ali, Seu Moço, naquele outro canto, ó, que eu cometi a tolice de dizer que não era a…
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A HORA CERTA Foi ali, Seu Moço. Que cansei de relutar. Naquela esquina ele abraçou todas as minhas dores estomacais e fez com que eu reparasse que nunca deixei de acreditar no bom da vida. E foi ali, Seu Moço, naquele outro canto, ó, que eu cometi a tolice de dizer que não era a hora certa. Juntei minhas fobias não causadas por ele, minhas cicatrizes, sustos e assombros pretéritos, formei uma imensurável bola de horrores na garganta e na coragem e, simplesmente, joguei tudo pelos ares, escorando na minha desculpa sincera de que achava não estar em uma fase propícia para algo maior. Foi numa quinta-feira cinzenta que ele surgiu com sua paciência de Jó, e, apesar de ter sido inesperado, foi simples, nada parecido com os romances que assistia e anotava na minha libido. Mas foi mais mágico do que todas as histórias que vivi, até mais do que aquelas que causaram textos até hoje. Porque foi real, sabe, Seu Moço? Foi de uma segurança imensa. E assim fui aprendendo que o fascínio do amor não está apenas nos grandiosos acontecimentos, mas sim, nos detalhes que ele permite enxergar, na leveza da leitura. Se não está dando tranquilidade o suficiente para granjear as vírgulas mínimas e incríveis que estão passando, é porque não é amor. Não tem como algo que depende assim da amizade, surgir das turbulências. Não senti e nem sei se sinto que é a hora certa, não sinto que estou curada dos últimos socos que levei no tórax e nem que posso entregar todos os pontos enquanto ele ainda está na porta, mas cansei de querer encontrar gente que presta na hora exata. Já joguei janela afora outros que pareciam ser dignos, apenas porque a minha fase não era a mais estou-aguardando-um-casamento. Depois, com ele, fui vendo que é burrice limitar as oportunidades por bloqueios momentâneos. Que é como ter o bom e o ruim e optar pela imprudência do negativo, perdendo o que pode nunca mais encontrar e ficando com o que hora ou outra, vai esvair. Que insensatez quebrar o inabitual por algo comum! Comum é esta rachadura que prendeu meu pulsar, comum é esta fragmentação que todo mundo recebe, uma vez que seja, dos infortúnios. Comuns são as aversões criadas pelos péssimos rastros dos comuns. Costumeiros são os pés oscilantes e o que fiz naquele canto. E inabitual é o que eu tenho, ou tinha, nessa possibilidade. Quero dizer para ele que pode entrar, sabe, Seu Moço? Quero que ele saiba disso. Que a hora certa é a gente que faz, que quero que ele me ajude a fazer. Que não é para ele tascar a nossa esperança em um jarro de flores mortas e fincar os pés aqui sabendo que é por tempo contado. Nunca fui de querer ficar em nada tendo ratificação de que teria mesmo um final. Então, se aqui ainda estou, ele deveria saber que é porque nunca dei para trás, nem mesmo um pouquinho. Sim, preciso ainda contar que tem muito turbilhão por vir, mesmo que esta paz imensa que ele me traz continue a grudar nas solas dos nossos sapatos. Porque nunca é fácil. Só que a parte mais rara a gente já tem, que é a naturalidade, aquela sensação gostosa de sentir que está em casa, aquela intensidade rápida e não forçada. Que espero, ao menos, que para ele ainda exista, que em alguma pontinha das suas costas bata em permanência um fio de crença em se mudar para cá. Eu não vou estar brincando se disser que mudei de ideia, que na verdade, desde o começo meus sentidos apontaram para não ir, para colocar mais papel na impressora. Mas será que ele vai acreditar, Seu Moço? Será que ainda vale a pena dizer? Queria saber se ainda existe aquela mesma vontade e constância dele, entende? Queria gritar que nunca mais vai existir hora certa ou errada, que isso é pura ilusão. Que verdade mesmo é o que faz sentir, e ele fez. Foi naquela esquina, Seu Moço, bem ali, que soube desde o começo que era ele. E foi naquele canto que estraguei tudo. Ajuda, Seu Moço, essa gente confusa que está escolhendo errado, e a mim. Preciso fazer ele voltar àquela esquina comigo e deixar aquele canto para trás. Porque, Seu Moço, ele precisa saber que se ficar, eu não vou mais.

O QUE QUEREM AS MULHERES Se você puder beijar minha testa, acariciar meu braço e só depois chegar em áreas sigilosas, diferente do que deve ter feito com a maioria, eu não vou ligar se vamos estar em um carro super potente ou na carrocinha da fazenda lá de depois do outro lado d…
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O QUE QUEREM AS MULHERES Se você puder beijar minha testa, acariciar meu braço e só depois chegar em áreas sigilosas, diferente do que deve ter feito com a maioria, eu não vou ligar se vamos estar em um carro super potente ou na carrocinha da fazenda lá de depois do outro lado do mundo. Se você for sincero, e prestar atenção no que estou falando, diferente do que deve ter feito com a maioria, eu juro que não vou ligar para o seu abdômen um pouco estufado de meses sem academia, e sim olhar para o seu sorriso após o meu findar de frases. Se você puder me contar um segredo, eu vou contar um também, e então não importará se o restaurante está cheio, vazio, ou se é aquele baratinho com o cardápio repleto de traduções equivocadas. Se você falar que vem aqui, e fizer algo original, como trazer uma pizza do sabor que eu gosto e colocar aquela música para tocar (qualquer coisa que torne visíveis as particularidades do momento), eu juro até que vou preferir do que ir naquele tal hotel com ofurô gigante e champanhe da marca num-sei-que-lá. É bom, claro, usufruir das tecnologias, da incrível capacidade do homem de superar a frase “este povo não tem mais o que inventar”, de estar degustando de um prato em que o ambiente friozinho parece ter gosto em conjunto, mas eu juro, com todo o meu coração, que isso não renderia tantas boas lembranças como se você sujasse a boca de catchup enquanto ri de alguma coisa sem sentido que eu falei. A importância, que não é demonstrada pelo quanto você gasta, ou para o quão elegante é onde estamos indo, e sim pelo esforço que fez para estar ali, pelo tempo que passou da sua hora e parece não mais importar, pelo vigor com que me conta o que nunca foi dito antes, por cada bocado de segundo que demonstre que algo feito naquele instante está sendo único, inédito e de tamanho extra grande mesmo que tão simples: é esta importância, que faz as pernas tremelicarem ao pensar na perda da sua presença. Falam das mulheres interesseiras, mas eu juro que até elas teriam mais daquela invejinha espetando suas cobiças ao ouvirem falar do cara que levou a tal moça para ver o seu esconderijo de infância (onde nem seu melhor amigo havia estado), e colocou colchões no chão para eles olharem o céu enquanto ele admitia que passou na padaria e comprou aquele docinho de cinquenta centavos só porque ela disse que gosta, bem mais do que ao ouvirem sobre aquele que chegou com sua super Ferrari, entrou em um restaurante chique e teve uma conversinha clichê, o que aparenta ter sido cena feita em muitas outras noites, com muitas outras convidadas. É a intensidade do querer conhecer meus prazeres mais enraizados e expor os seus. É a magnificência de demonstrar o anseio em compartilhar suas manias mais latentes e secretas e lembrar das minhas. É a importância. A particularidade, o que conquista. Não me chame de linda, princesa, e todas estas formas batidas que parecem ressurgir de um ctrl+c, ctrl+v… Use a criatividade comigo, e não sua carteira ou corpo. Crie um apelido, algo que só a gente entenda, por favor. E eu juro que quando ouvir alguma palavra parecida, vou lembrar tanto da gente, tanto, que aquele homem malhado vai parecer um poste feio e duro na frente do carro que queria engrenar para voltar aos seus braços. Se você puder fazer algo só para mim ou só comigo, escolha este algo ao invés de quaisquer saídas que pareçam mais surpreendentes e/ou agradáveis. Opte pelo que vai ser incomum, não pela aparência, e sim pela realidade e singeleza de estar sendo a primeira vez a ser posto em prática. É a singularidade, a importância. É a importância, caramba! Que você demonstra que tenho, a ponto de fazer parte de alguma primeira e única vez da sua vida, que vai fazer com que seu nome se exalte em meus batimentos. O que quero é um livro diferente, é uma história nunca antes contada. É aquela página que nunca teve coragem de abrir para outras mulheres. Ser especial é ser exclusivo (único, original, que mais sinônimos queira), e é ser especial que desejo. Pode ser especial aqui, aí, ou na casa caindo aos pedaços daquela rua estranha do seu condomínio, mas eu juro, que nenhuma riqueza vai ser maior do que essa importância.