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Frase de poeticos

Depois, dê pois. Uma vida bem vivida é uma que sabe que liberdade é sobre legado. E legado é sobre caráter. Caráter não é sobre a cicatriz. É sobre o que se faz depois dela. (Vanessa Brunt)

poeticos

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Pensador.com

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Outras frases de poeticos

NAS PASSAGENS Você saberia hora de retornar se todo mundo for pr'outro lugar? Quando todos olham, refutam a visão, você saberia manter posição?
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NAS PASSAGENS Você saberia hora de retornar se todo mundo for pr'outro lugar? Quando todos olham, refutam a visão, você saberia manter posição? Na cartada da manga, no pé do assoalho, você saberia o que faz agasalho? Talvez não seja nem a hora de voltar. Você saberia passar frio para passar? Você saberia antes de saber? Nem todo mundo sabe. Pode ser? Ao escovar a trança do autoconhecimento, seja dor ou seja cura, mas nunca contentamento. Veja a hora, seja dura, só assim que há cimento. Veja agora o que perdura e não é coisa de momento. Porque você sabe quando já é hora. Você não sorriria quando a bochecha cora? E no dia de ir, no tanto que se esquece, você sabe agradecer (somente) a quem permanece? Na constância, (r)exista. O contrário não existe. Ser feliz é ser verdade antes de ser alegre ou triste. VANESSA BRUNT

ENTEDIADA DO AMANHÃ Estou prevendo o futuro Sentada no meio-fio.
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ENTEDIADA DO AMANHÃ Estou prevendo o futuro Sentada no meio-fio. Não há um dia seguro Em que o mar não seja rio. Se algo me tira a previsibilidade, Já prevejo. O que não é-terno, apedrejo. Somos artes suicidas Em um museu sem endereço. E já não é a quem machuca, Mas a mim que Agradeço. O caos me é hoje tedioso. O que me tira paciência Já não me trisca grandioso. Eles dizem que tudo o que é bom É trabalhoso. — E concordo, realmente. O esquecido é que Ser trabalhoso é diferente de ser Dificultoso. Por isso o caos me faz sentir tão Mera-mente. A intensidade que tira o fôlego Já não me encanta no refrão. E enquanto respiro exausta Entendo que na paz se sente melhor A emoção. Porque é possível entendê-la Com clareza. É possível ter binóculos para o que aprecia. Porque fico entediada Quando confundem maldade Com braveza Ou passividade com empatia. Trabalhoso é o que você sabe que dá conta E pode exigir muito, mas sempre evolui. Dificultoso é quando você repete o esforço E a faca aponta Sem saber o quanto falta ou o quanto Conclui. Sim, não sou só eu: Todo mundo está cansado há horas Todos eles andaram léguas… Todo mundo está com cataporas De crianças que deram tréguas. Porque criança não espera endereço Criança pergunta ontem. O pequeno que sempre sabe seu preço Conta a história antes que contem. Precisamos ser mais assim, Quem somos em essência. Acreditar no tim-tim por tim-tim, Fadigar na ardência. Estou entediada com uma bola De cristal na frente. Com dezesseis anos de idade Isso seria atraente. Mas de mãos dadas comigo Estou prevendo o futuro — Puxando-me do meio-fio. Que tédio do que investigo! Não há um dia em que o puro Fuja do próprio Feitio. (Vanessa Brunt)

Fotografia em 3000 Ah, eu sei bem da história, Eles cantam vitória,
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Fotografia em 3000 Ah, eu sei bem da história, Eles cantam vitória, E eu canto mais amar. Ah, eu sei bem é da glória. Eu fico para a história, Eles ficam para ganhar. Senta limpo na estrada, Molha o pé na calçada, Meio fio de Ninguém. E na hora da Pedrada, outra bruxa. Ah, Coitada. Liberta e é refém. Nessa minha geração Que não conhece nada Por inteiro Nunca abre o livro, então, Diz que ele é Feiticeiro. Viver na sombra lenta Junto aos subestimados Na verdade, acalenta Todos os gênios cansados. A cultura na fogueira, Brutalmente assassinada E na fulgura, berradeira, O povo faz outra piada. Prepotente, berra um. Suicida, berram dois. “Eu sei mais do que o comum” E pediu feijão com arroz. Ah, eu sei bem da história De quem levanta seu cartaz Faz a arte, ganha escória Apenas por tentar demais. “Não levante tanto a voz”, “Não fale tanto de si”, Ah, eu tiro bem os pós E esfrego no que li. Todos morrem sem flores E florido é o caixão Ah, querem mais é dos autores Do: “calados vencerão”. Ah, eu sei bem da história, Eles cantam a vitória Com meu sol escaldante. Mas Quando tudo for memória Veremos a dedicatória A quem morreu com Seu berrante. (Vanessa Brunt)

Bem-assombrada Numa casa certeira Lá em frente a São José
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Bem-assombrada Numa casa certeira Lá em frente a São José Entrou senha-primeira, mas não fez o seu café. A casa pôs tapete, mas ninguém quis pôr o pé. E dentro do filete, rachadura diz “quem é?”. Bateu segundo nome, Encantou-se, moradia. E dentro do que some Acostumou-se, mais-valia. Disse que ali nada seu podia Sem jamais ter feito coisa de Decoração. Alegou, bravura, falta de harmonia Sem nunca, outrora, Outr’adaptação. Porta arrombada, entra outro vão. Derrubou a casa, reforma a-temporal. Acabou que desfez onde entrava o clarão. Derrubou até mesmo parede estrutural. Na rua vizinha número-cem, apavoravam Quem se dispôs. Casa-mal-assombrada, difícil ir também Melhor-não, berrava outros dois. Fim de tarde, noite, casa abandonada. Sozinha, serralheira, se observou. Batente bonito, curvilínea na escada. Bate-se outra senha Que se repousou. Esse que sujava os pés sempre lá fora E nunca usava o carpete ao adentrar. Culminou na guerra de “Onde você mora?”, Aos berros: “Casa porca!”, Mesmo sem limpar. De janela aberta, entrou a ventania Casa recebeu planta que voou. Pólen, ares, outra joaninha, E ela não pensava Em fantasma que assombrou. Viu-se na vista, casinha-horizonte Montanha bonita, parte do terreno Numa Sevilha, fruta ao monte Parte arrancada a fez ver aceno. Não pelo desgaste, sim pela paisagem. Lá na vilazinha, alguém disse. “Que potencial, pena, coragem”. E casa aprendeu a adorar velhice. Numa sala, cachecol esquecido No gabinete, blusa de frio. Um conjunto teria surgido Se não fosse o seu vazio. Depois de tanto tempo, com a pia já cansada, entra ali moço servente, como quem já não quer nada. Põe-se no assoalho, tira a meia, sente chão, descansa o seu baralho, na madeira onde põe grão. E de tão calado, assim, como quem diz, fez flor lá no jardim, fez marcação de giz. Viu cadeira quebrada no cantinho da varanda. Casa viu fadada, Ele viu ciranda. Casa teve porta Reformada, bem-vindo. Uma nova horta Foi-se construindo. Numa casa sozinha, juntada, amada Ganhou-se até porta d’onde ver sol. Tornou-se obra de arte a cadeira quebrada. Bem em um pedestal, rara com lençol. Casa sem teto ainda tem o céu. O senhor pensava enquanto faxinava. Oh, meu Deus, caneta e papel. Na mesa de trabalho, a casa descansava. Vanessa Brunt