Frase de Prof. Jeferson Botellho
O agente público que transforma sua missão em palco e sua função em vitrine não apenas se desvia — ele se perde. Aquele que ocupa o cargo mirando os holofotes, e não o interesse coletivo, padece de uma enfermidade silenciosa e devastadora: o narcisismo institucional. Uma patologia que não apenas distorce sua própria percepção de realidade, mas que corrói, por dentro, os pilares da ética administrativa. A Administração Pública não é arena de autopromoção, tampouco balcão de negócios pessoais. Não é espaço para mercantilização de cursos, venda de imagens ou construção artificial de prestígio. O Estado não pode ser instrumentalizado como extensão do ego de quem deveria servi-lo com humildade. Há, nesse comportamento, uma inversão ontológica da função pública: o servidor deixa de servir para se servir. E quando isso ocorre, instala-se uma perigosa degeneração — o interesse público é relegado ao segundo plano, substituído por estratégias de visibilidade, marketing pessoal e culto à própria imagem. A função, que deveria ser sagrada, torna-se espetáculo. A responsabilidade, que deveria ser dever, transforma-se em oportunidade. Lugar de exibicionismo é no circo, sob as luzes do aplauso fácil e efêmero. A vida pública, ao contrário, exige sobriedade, compromisso e silêncio produtivo — aquele que constrói sem anunciar, que realiza sem ostentar, que serve sem esperar reconhecimento. O verdadeiro agente público não busca aplausos — busca resultados. A história não se curva aos vaidosos. Ela reverencia os íntegros.
No pensador.ai desde