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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

BRIGAS TERCEIRIZADAS Demétrio Sena, Magé - RJ. Comprar as brigas alheias que se repetem à nossa volta pode sair bem caro quando não temos critério, senso crítico e de responsabilidade. Na maioria das vezes, os constantes embates nos ambientes laborais, religiosos e familiares obedecem a interesses ou conveniências fúteis que logo serão resolvidos, depois causarão novos embates - que voltarão a se resolver - e assim por diante. A depender de nosso temperamento ou personalidade, faremos inimigos definitivos que nunca deixarão de ser amigos entre si, e pode ser que futuramente se unam para nos condenar por termos “exagerado na reação”. O maior problema é que ao comprarmos uma briga ela se torna bem mais feia entre nós e a parte contra a qual investimos em nome daquela da qual tomamos as dores. Se já é bastante complicado explicar a situação, imagine como será na prática. Evidentemente, não há como ficarmos apáticos e imparciais quando presenciamos cenas de absoluta; indiscutível covardia. Se alguém agride fisicamente ou dirige ofensas de fato graves a uma pessoa em plena desvantagem física, psicológica, social ou de gênero, teremos que nos envolver, prestar socorro, fazer o possível, mesmo se soubermos que dias ou horas depois algoz e vítima estarão “de bem”, sendo que ambos “de mal” conosco. Isso me faz lembrar os tempos de menino e minhas decisões de apartar algumas brigas entre colegas de escola ou rua, geralmente por causa de pipa, bola de gude ou pião. Eu sempre levava um soco do agressor, também o agredia, enquanto a vítima inicial assistia a tudo. Resultado: em pouco tempo eles negociavam, faziam as pazes e não eram mais meus colegas, por eu ser “intrometido e rancoroso”. Passa o tempo; vem a maturidade. Mas o ser humano preserva em qualquer faixa etária e com outras capas ou nominatas, para disfarçar a futilidade, as velhas questões de pipa, bola de gude ou pião.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.