Frase de Ricardo Melo .
O choro do azulão. No jardim, Os Beija-flores se destacam com suas cores, As araras nem vou citar, Suas belezas são notáveis, Reluz então o sábia laranjeira, Olá! O meu nome é azulão, Na gaiola chora eu e o papagaio, Periquitos com suas eternas tristezas, Canarinhos e bem-te-vis, Todos presos sem a tal felicidade, Nos tiraram do nosso habitat, Sem o direito de vivermos a nossa vida real, Na mata o João de barro faz o seu palácio, No trigaral cisca a Rolinha-roxa, Não sei de quem foi essa ideia, Estamos nessa penitenciária Um dia nos prenderam aqui, As portas e janelas em um futuro cego irão se abrir, Posso ate sentir, Mas por enquanto só posso sonhar e gritar, Liberdade, Oh! liberdade, Mas enquanto isso, Só posso pedir, Vá poesia, Leva um recado meu, Mostre aos promotores, Na espera de se sensibilizarem com essa história, Ser livre, É direito de todos, Fora esse pássaro que murmura, Existem outros também, Falo por todos nós, Esse clamor, É do fundo do coração, Não fizemos nada para estar nessa prisão, Nesse meu quarto, Existem grades de ferro, A água é parada, E a sombra se escafedeu, O alimento não é grandes coisas, E as vezes, Até passamos mal, Leve também, Um recado para meu amor, Não sei por onde anda, Depois que entrei aqui, Nunca mais eu á vi, Esse pássaro que vos fala, Ja chorou o que nunca ninguém chorou, Aproveite e traga os juízes, Para sentenciar esse nosso processo, Só temos asas e pernas, E esse direito nos foi tirado, Para acalmar minhas dores, Esses amiguinhos me consolam, Somos todos prisioneiros, Desses humanos desordeiros, Que só querem ganhar dinheiro..... Autor:Ricardo Melo. O Poeta que Voa.
No pensador.ai desde