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Frase de Carlos de Castro

⁠LOGRO Era de noite Às três da tarde Daquele dia Numa manhã Irmã, Como eu, órfão Da lua Que anuncia O sol na solidão De uma vida vazia. Havia, ai Deus, como havia Logro naquele sol Que quis passar pela lua, Antes do dia amanhecer No calor que arde Como chicote açoite Nas costas do entardecer Das minhas costelas nuas E das tuas, Se estivesses comigo, Te digo, Naquela noite. Só depois na modorra De estancar o sangue Exangue Das feridas, Minha alma saiu fora E disse: - Malditas, tais investidas! Trôpego, então respondi: - Vos arrenego, almas perdidas, Do antes e do agora! (Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)