Frase de Camila Senna
Durante anos de uma vida povoada, Andei só, com meu coração despovoado. Dava bom dia ao vizinho com sorriso no rosto... Para esconder a vergonha de cada a dia. Destilava palavras de carinho, Mas minha carne interna estava desidratada, sem rio. O amor que sempre me amou, insistia em ficar... Estava por um triz conservá-lo florido... Pois eram muitos momentos pálidos, sem colibris. Me vi num convento onde só enxergava lamento, Duma escassez de sentimentos de entontecer, As cores que eu via, era branco e preto, O branco: não era de paz, era dum tormento-loucura... O preto: não era da noite com luar, era a morte vestida para me tragar. Minha sorte foi a de ter nascido teimosa, rebelde, é... rebelde. Essa rebeldia causou a rebelião de toda uma vida ferida... Sem cor, ser harmonia, sem poesia... Me libertou! A inquietude interior que me vestia me fez ser melhor do que eu via, sentia, e vivia... Estava tudo entalado na garganta, e, antes que me estrangulassem... Vomitei com toda a minha coragem. Rasguei a batina que enclausurava minha espontaneidade, Joguei-a no lixo, no lixo dos covardes! Fiquei desnuda, com a face alva, macia e sem poeira. (respirei)...
No pensador.ai desde