Frase de Daniel Avancini Araujo
Entre o Assassino e a Vítima Quem sou eu? Um humano imperfeito, destroçado entre o espelho e a carne, cometendo crimes contra mim mesmo, atentados sutis que corrompem a alma e rasgam a pele da consciência. Sou vítima ou assassino daquilo que me tornei? Voluntário no ato de me ferir ou involuntário na arte de desmoronar? Sou necessidade que enlouquece, psicose que se veste de razão, ou um delírio lúcido que encena a tragédia de ser quem sou? Sou mesmo louco? Ou a loucura é a máscara que uso para não ver a verdade do caos que me habita? Sou mesmo eu? Ou sou um espectro fragmentado, uma nota dissonante na sinfonia do que jamais fui? Indizível. Como nomear o vazio que preenche os espaços entre meus gestos? Como afirmar com certeza que sou algo além do que falha ao tentar existir por completo? Se a dúvida me define, sou tanto a ferida quanto a lâmina, a mão que acolhe e que esmaga, o vulto que se esconde atrás de um rosto que mal reconhece sua própria sombra. E se o espelho estilhaçado reflete múltiplos eus que coexistem na fissura do real? Serei eu o caco que corta ou o reflexo que sangra? Sou a colisão entre o ser e o não ser, o vértice do abismo onde a dúvida ecoa e a própria identidade se desfaz. Há um grito que rompe o silêncio, uma palavra que treme na garganta, como se nomear-se fosse desabar e aceitar-se fosse um pacto com a dor que me habita. E no limiar dessa guerra interna, sou o paradoxo que respira, uma verdade que mente para si mesma enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo. Ser é ser incompleto. Sou a imperfeição que sobrevive no abismo entre razão e caos, desafiando a lógica com um coração que ainda pulsa mesmo quando a mente implora por trégua.
No pensador.ai desde