Frase de Manami Leticia Tamogami
A criança decide explorar, este sendo o maior de seus hábitos em uma imensidão de cheiros e gostos. A inocência é abrigada em um corpo frágil, um ser quase recém parido, já é capaz de tantas influências: um capricho, um trocar de fraldas ou um abraço; desconhece ainda das malícias que aguardam. Ainda depois de muito tempo, é certo que não estará preparado, confiar em alguém neste mundo maldito é como se agarrar a uma árvore em meio à enchente, você não sabe se terá segurança ou se as raízes te jogarão novamente na correnteza. Alguém que teve tudo nas mãos não conhece a dificuldade de conquistar, sabe-se que desistir é mais fácil, jogar fora aquilo que os outros almejam não lhe acarretará problema algum. Mas quando jogado na imensidão, se apavora, não sabe lidar; quando precisa enfrentar problemas chora, ninguém vai ouvir, ninguém quer ouvir; como o pássaro engaiolado que resmunga em canções, ouvidos alheios apreciam sua dor. As regras são tomadas no café da manhã, o julgamento de certo ou errado determinados pelo ponto de vista de um cabresto, é ingerido a seco. O cotidiano se torna uma bagagem extensa, os detalhes que diferem as vezes passam despercebidos e quando não passam são classificados como insignificantes. A violência está agregada, ser corrupto algumas vezes certamente é normal, o prazer da carne ultrapassa a razão e a criança que agarrava com admiração algo distinto, agora, adulto abomina, carregando consigo uma porção incontável de desafetos. A rosa ensina, apesar de tua beleza que preenchem os olhos, quem a colhe sem pensar se surpreende com os espinhos, talvez seja necessário um ou alguns espinhos para que aprenda de fato como admirá-la, como conviver com ela. A vida é assim, sem cautela ou aviso prévio, haverão inúmeros tropeços, se acontecerão da mesma forma só depende de quem os comete. Ah, estas larvas! Seriam futuras borboletas ou para simples putrefação?
No pensador.ai desde