Frase de Nelson Rodrigues da Costa
Venha, venha, venha a mim, ó pilim, em toda a tua vil glória, cintilante e fugaz, talvez não traga felicidade, é verdade, mas nunca vi um rosto entristecer ao encontrar-te perdido, esquecido no chão. Ah, doce ilusão de papel e metal, não devemos viver sob teu jugo, nem erigir altares em teu nome, mas, quando vens, és bem-vindo, como a chuva inesperada em tarde de verão. Traz contigo o conforto, o alívio momentâneo, não a essência da alegria, mas um suspiro, um descanso breve na jornada. Não te idolatro, pilim, mas acolho-te, com a mesma simplicidade que acolhe a flor, sabendo que, apesar de efêmero, teu brilho pode, por um instante, aliviar o peso do cotidiano. Venha, venha, venha a mim, pilim, não como senhor, mas como servo, um convidado que chega sem aviso, e cuja partida deixará apenas um eco suave, uma lembrança de luz.
No pensador.ai desde