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Frase de celso_nadilo

Há ideias e sentidos notáveis em um caminho que flui mais forte que a própria vida. ​Depois que a órbita elíptica sugeriu o fluxo abrangente dos desenhos nas cavernas, as horas passaram a ser parte da história. Os segundos são meros atributos da defasagem do tempo — uma pausa necessária para que tudo faça sentido. É o tempo gerado pelo sistema operacional do planeta, ainda que ele fosse apenas uma engrenagem desse mecanismo, e a verdade, algo bem mais complexo de apreender. ​As memórias são frágeis e superficiais: fragmentos de sensações das fases pelas quais passamos. Ainda assim, essas experiências ajudam a preencher a defasagem do tempo. A cada pôr do sol, somos exatamente iguais — até que a escuridão se dissipe em um novo dia. Estranhamente, o dia começa na madrugada, quando tudo ainda é escuridão. ​Compreender os mistérios do tempo, as estações e as temperaturas é um desafio constante. Mesmo em um pesadelo, sentimos frio ou calor; no frio extremo, passamos a encarar o extraordinário como algo comum. Nas ondas dos mares, em verdes sintonias, encontramos o horizonte como se olhássemos para um holograma, celebrando o fluxo temporal que envolve o nosso planeta. Os ventos gelados do Ártico revelam a aurora boreal e as pareidolias mentais do gelo — as mesmas que surgem no calor seco do Saara. A luz e a escuridão se encontram em um ponto qualquer: ao redor da fogueira, observamos as luzes dos céus em uma dança cósmica infinita. ​Olhos atentos esperam que o fluxo do tempo seja apenas um ponto no firmamento, enquanto lágrimas dão origem a vozes que ecoam no espaço contínuo, expressando um sentimento pragmático. Na velocidade do ônibus ou do metrô, o tempo parece ansioso, somado a cada parada até o destino final. No vidro, o reflexo do passageiro é consumido e reconstruído — uma natureza devastada por várias versões do mesmo ser, copiado pela imagem refletida. ​O vento da tempestade e as chuvas parecem flutuar de repente sobre a realidade. Às vezes a terra treme, mas é apenas o movimento da crosta. A percepção cotidiana do amanhecer contrasta com o peso do meio-dia no ambiente de trabalho; a paz serena se envolve em calor, frio ou na sensação de um tempo fechado. Essa ilusão se revela quando olhamos para as nuvens ou sentimos as distorções temporais. ​As corredeiras da cachoeira trazem uma sensação de calma em sua corrente bruta e absurda. Nelas, o fluxo temporal passa depressa, pois a mente relaxa e se contenta ao fazer parte da natureza. A vida aquática e a noção do ser transcende a própria sensatez: o que existe sempre existiu, mas continua a nos encantar. É o encantamento das sombras projetadas pelo cérebro, que busca incansavelmente sentido em pareidolias, paradigmas e paradoxos. ​O calor sufocante transforma a mente, deixando o homem mais desperto e ligado, como em um horário de verão. O deslizamento das regras que usamos para entender a compaixão inata torna-se o pano de fundo que evoca processos psicológicos internos. No fim das contas, o reflexo psicológico nos últimos parâmetros do dia nada mais é do que a mudança climática da nossa própria percepção intelectual.

celso_nadilo

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