Frase de Wikney Edson
“Cômico, anos atrás, ela me indagou. - Por que, ultimamente, tens sido um todo de ódio e rancor? Respondi-a aos risos, com um certo torpor. - Ora, como não odiar o mundo, quando cada batida de meu coração, lhe presta uma serenata de amor? - Como posso amar o mundo, quando quem fiz de meu mundo, me negou amor? - Não sou capaz de amar a todos, não sou Cristo, nosso Senhor. Naquele momento, ela corou. Vi em sua face, aquele belo e inconfundível rubor. O que me assola, minha amiga, é que ela sabe que o mundo é só terror. Ela parece ter medo da felicidade, tenta a todo custo, apagar a chama da minha paixão, tem menos medo da infelicidade, que do meu amor. Recordo-me, minha amiga, que naquele dia, ela chorou. De súbito, me abraçou. Embalou-se em meus braços, nossos olhos digladiaram-se, o corpo dela tremia, até mesmo o Vesúvio, invejaria o nosso calor. Ela fitou-me os lábios, mas não me beijou. Foi-se embora, sumiu por dias, não me ligou. Hoje ela retornou. Cômico, minha amiga, novamente ela me indagou. - Naquela noite eu fui feliz, não sei o que me aconteceu, o que foi aquele fervor? Respondi-a aos risos, com um certo torpor. - Naquela noite fora amada, aquilo foi amor…” - EDSON, Wikney – Cartas à Minha Amiga
No pensador.ai desde