Frase de Beatriz Fagundes
Otávio D'aspas Era complicado Entender o que se passava Na cabeça daquele homem. De tanto por medo nos outros Ficou com medo do espelho Onde via seu reflexo Aí quebrava E se assustava Com os sete anos de azar. Usava aspas No lugar do chapéu E quando queria Pintava o céu Todo de preto Para dormir no escuro. Sentia frio Quando o sol queimava Mas sempre recitava Todo estridente Uma rima incoerente E diziam Que ele falava com o Rei O que manda no sol E faz chorar as nuvens. Eu temia Pagar pra ver E acabar sob seus braços Ser jogado, aos pedaços No chão da sua sala de estar. Ora ria Ora chorava, Mas sempre fechava as portas Quando a lua dizia “olá”. Devia ser alérgico Ao sereno da noite Ou aos casais apaixonados Amantes das estrelas Que ele pintava de preto. Talvez ele só gostasse Dele e das suas rimas Que recitava, estridente Inacabadas e incoerentes Mas significavam muito Pra quem usava aspas no lugar do chapéu.
No pensador.ai desde