Frase de Thiago Rosa Cézar
Nó do lenço Em Veneza, o amor era um porto, Onde o Mouro, de guerras cansado, No olhar de Desdêmona, enfim, achou conforto, Um reino de paz, por ela outorgado. Mas a sombra do lago, em silêncio, tecia A teia de aranha que o peito consome. A dúvida, o verme que a alma vicia, Sussurrava mentiras em volta de um nome. O lenço caído, bordado em morangos, Tornou-se a prova de um crime inexistente. Otelo, perdido em sombrios fandangos, Cegou para a luz da amada inocente. Onde havia ternura, nasceu o tormento, O ciúme é o monstro que a si próprio devora. Um travesseiro abafa o último alento, E a verdade só chega na última hora. Ó, General, que venceu mil batalhas, Mas caiu diante de um falso confidente! No quarto de Chipre, entre mortalhas, Dorme o amor que foi morto injustamente.
No pensador.ai desde