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Frase de Nemilson Vieira de Morais

REVAl II CRÔNICA Reval,por um tempo andou meio fraco da cabeça. Morava sozinho num quartinho de uma casa antiga, na Rua Sete de Setembro, anexo à alfaiataria de Corcino - seu parente -, um dos primeiros alfaiates de Campos Belos. - De vez enquando sumia; mas sempre voltava. Trajava à mesma roupa ensebada de sempre.Sapatos às vezes,soltando a sola. Moreno forte, de estatura mediana, usava cabelos quase aos ombros, que nunca viam pentes e água. Ostentava um bigode entrelaçado à longa barba. Medo a gente não sentia de Reval: alguma sisma somente. Arriscava conversar com ele. Mas a prosa era pouca,só respondia aos arrancos,jeito desconfiado,olhar distante. Nunca se soube de agressividade dele, às pessoas. Andava lentamente pelas ruas da cidade, com as mãos nos bolsos da calça, mastigando um possível alimento. Ficávamos curiosos para saber que iguaria degustava. No percurso que fazia pelas ruas andava e parava, andava e parava...pondo sentido em tudo que seus olhos viam. E o de mais relevância, pra ele,observava mais ainda; imaginando coisas. Em seus observatórios diários, nada passava despercebido do seu olhar. Olhava os mínimos detalhes daquilo que mais lhes chamasse a atenção. - Como se tivesse fazendo uma profunda análise. Parecia discordar com mais contundência algumas irregularidades que via: ao coçar a cabeça acima da orelha e balançar a mesma num gesto negativo; sempre fazia isso quando o objeto da observação não atendesse suas expectativas de normalidade. Belo dia... Como há de ter acontecido... Reval saiu de casa e subiu à Rua BH Foreman, mais calado do que nunca. Triste, de cabeça baixa, olhos inquietos. Atravessou a Av. Desembargador Rivadávia e ganhou o calçadão, em frente à Prefeitura Municipal. Parou, e colocou a mão direita atrás da orelha, em forma de concha, para ouvir melhor o sino repicando à sua frente, na Igreja Matriz. Era o sacristão chamando os fiéis, para a encomendação de um corpo. Ele não atendeu o apelo sonoro da paróquia naquele dia: adentrando-se ao santuário. Nuvens cor de cinza se agarravam ao Morro da Cruz e das Almas; não demorou muito a cair pingos de chuva como lamentos, na grama verde da praça. - Quando uma pessoa boa morre a terra recebe o insumo e o céu sela com água, o fim deu ciclo. Reval aproximou-se daquela casa de oração católica, e tomou a benção ao seu vigário, que estava posicionado à entrada principal, recebendo o povo, para a cerimônia fúnebre. Riscou o dedo polegar direito na testa, repetida vezes, e inclinou-se levemente para frente, em sinal de respeito ao pároco, ao santuário e ao falecido. Beijou um enorme crucifixo metálico, preso num grosso cordão e olhava ao longe, o esquife num ataúde bonito... Em rogos,de longe, desejava um bom lugar ao finado. Missão cumprida... Deu as costas ao Reverendo, sem se despedir, e desceu a Rua do Comércio, enxugando com a manga da camisa, algumas lágrimas sentidas. Teve fome... Com a barriga nas costas, entrou na padaria de Zé Padeiro. Pediu um lanche, sem dinheiro. A atendente lhe deu um pão com manteiga, e um café com leite num copo descartável. - "Capricha que é pra dois tomar." Disse, à moça, que colocou mais um pouquinho. Ficando sem entender: pois, não o viu acompanhado de mais ninguém. Ao retornar a sua casa, pelas mesmas pisadas, Reval parou diante de um caminhão de transporte de madeiras; quebrado e cheio de laxas de aroeira, na porta do Armazém de Seu Natã. O proprietário já havia pedido ao papai que olhasse o mesmo; pois, teria que se deslocar até a Capital Federal ou Goiânia, para comprar uma ponta de eixo. Pois não a encontrava na região, para a devida reposição. O sol, queimando, e não havia mais uma nuvem sequer, nos céus, para atenuar a sua intensidade. Reval, por sua vez, continuava parado diante do veículo, dando andamento na prosa... Depois de ter observado por muito tempo aquela situação; de todos os ângulos possíveis. Continuava olhando, olhando,olhando... E, balançando a cabeça de um lado para o outro. Como quem não concordando com aquela situação. - Conversava baixinho com o caminhão, de maneira que só os dois ouviam, mais ou menos assim: - Isso que estão fazendo com você é um absurdo, é uma desumanidade muito grande! Como é que pode tanto descaso, com um ser tão indefeso[...] - Coitadinho, quanta judiação[...] Quanto tempo sem comer e sem beber; cheirando mal, e cheio de poeira; com esse calor que está fazendo, não pôde até agora, tomar um banho sequer, para refrescar um pouco; como tem sofrido você ... continuava: - Não tenho mais tempo a perder: preciso fazer alguma coisa e continuar com essa caridade por mais um tempo... Deu o lanche que trazia consigo para o caminhão comer... Antes de despedir-se, daquele pobre necessitado, balbuciou quase imperceptivelmente mais algumas palavras: - Tenha um bom apetite!... Voltarei amanhã para ti ver... Foi-se embora balançando a cabeça, desaprovando aquele estado de coisas. Possivelmente repetiu o gesto de alimentar ao caminhão por mais de quinze dias. - Período que esteve lá. Toda vez que retornava ao local não havia nem vestígio de lanche. Como se sabe: a “fome é negra”. Reval tinha um bom coração. Aquela piedade demonstrada devia ser um reflexo da criação que recebera de seus pais. Que por sua vez, eram pessoas muito religiosas e bondosas.

Nemilson Vieira de Morais

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠As palavras adequadas às vezes dar trabalho encontrar; talvez nesses instantes, atendam os demais pensadores.
PERDAS E GANHOS REFLEXÃO A cada momento perdemos alguma coisa; e ganhamos outras. É a lei natural da compensação; que nos acompanha. Até não termos mais, nada para ganhar, ou perder.
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PERDAS E GANHOS REFLEXÃO A cada momento perdemos alguma coisa; e ganhamos outras. É a lei natural da compensação; que nos acompanha. Até não termos mais, nada para ganhar, ou perder. Em muitos casos não sabemos nem o ‘quê’, perdemos ou ganhamos; muito menos quantificar o valor real (ais) de tal (ais) perda (as) ou ganho (os). Às vezes, nem é bom saber. Nem sempre uma coisa compensa a outra; e continuamos a andar, achando ter lucros ou perdas naquilo que veio a nós ou, se foi de nós. Enganados ou não, alegres ou aborrecidos, a caminhada tem que seguir. Há casos, que um ganho, compensa uma perda; e uma perda é melhor do que certos ganhos. Em algum momento, iremos perder algo precioso para nós, em partes apenas; e a gente vai dizer: “Do saco, salvei o cordão”; em outros instantes, perderemos por completo o que não achávamos justo perdermos... E dizemos: “Mais têm Deus para nos dar, do que o Diabo para levar.” Quando a situação econômica de uma pessoa não é boa, tudo faz falta para ela. Ainda mais se viver na rabeira da carência. As perdas precisam ser trabalhadas; principalmente as maiores, pois elas mechem com os nossos sentimentos; com as nossas estruturas emocionais. Já fragilizadas pelas nossas necessidades básicas... Mas nada que não possa ser superado; com um pouco de boa vontade, fé e crença. "É necessário perder para depois ganhar". E o ganho depois da perda é a água que amolece a dureza de um coração ressentido. Um ganho não quer dizer que seja necessariamente material: pode ser um diálogo, o bom senso, um abraço, um aperto de mão, um sorriso sincero... Uma compreensão. Outrora, perdemos e ganhamos sem merecimento; achando ruim ou bom, era assim que havia de ser. Quando a inveja aflora achamos que somente nós merecemos ganhar. E ficamos aborrecidos com o nosso irmão ou até com Deus. O bom é suar ou pagar o preço para conseguirmos nossos bens materiais e outros bens. Nem sempre o proprietário de um bem pagou um justo preço por ele; pois, a fraude tornou-se o caminho mais curto rumo à vantagem e a posse. Para muitos de nós, nem sempre esse perde e ganha, que as circunstâncias oferecem-nos, há perfeito equilíbrio entre vantagens e desvantagens. Essa disparidade tem uma razão de ser, que desconhecemos. Até que nos tornarmos mais humanos em nossas maneiras de pensar e agir. Sendo mais solidários ao próximo, e a nós mesmos, na nossa missão de perder e ganhar. (26.03.18)

MANIA DE ESCREVER... PENSAMENTO Quem dera lá na frente, valer a pena meu querer!... Fora bem lá atrás, que no riscado da pena, construí, em minha escrita, meus dizeres de aprendiz.
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MANIA DE ESCREVER... PENSAMENTO Quem dera lá na frente, valer a pena meu querer!... Fora bem lá atrás, que no riscado da pena, construí, em minha escrita, meus dizeres de aprendiz. Contei minhas histórias, expus dilemas,... Em rabiscos de poemas, revelei meus sentimentos, emoções e pensamentos... Em algumas reflexões que postei,até magoei,sem ser esta a intenção. Não passaram de meras sugestões. Sem pretensão de me levarem a sério. Provavelmente aborreci alguém, em palavras ou ideia... Isso pelo fato de vivermos em continentes separados. Alunos em escolas de contextos socioculturais antagônicos, adversos. Mas esta adversidade não deve nos separar. E sim, nos unir mais ainda. Em torno de nossas demandas, comuns e essenciais à vida. Como a harmonia, a paz,a tolerância,os sonhos... a alegria do estar juntos. Em exposições, necessárias ou não, revelei sem reservas, minhas fragilidades; mas não pude expressar o que não senti. Só sei dizer, que fiz o que pude, consciente do meu papel de servir; no pouco que até hoje escrevi. Seguirei crendo, que poderei melhorar, se cultivar a coerência, a harmonia, e a mania de escrever. (17.03.18)