Frase de Rô Montano
"Divagações das Minhas Saudades" Divago nas minhas saudades, como quem caminha sem rumo em um deserto de palavras não ditas. As horas passam lentas, como velhos amigos que se despedem, e eu, perdido entre os ecos do que fui, me encontro em cada lembrança, navegando por mares de silêncio, onde só restam as ondas do que ainda arde. As saudades se transformam em terra, em raízes que crescem dentro de mim, tocando a carne com a delicadeza das palavras que nunca foram ditas ao seu tempo. Cada fragmento de memória é uma chama que me queima e me refaz, porque, no fogo da saudade, encontro uma verdade que não cabe em discursos vazios, mas dança nas sombras de quem ama. O vento traz o teu nome, e, por um instante, é como se te ouvisse nas notas de uma música esquecida. Mas, ah, como são pesadas as notas que nos deixam! Como são imensas as distâncias entre o toque da tua pele e a lembrança do meu abraço! E, ainda assim, divago. Porque a saudade é também a saudação ao que foi, ao que se foi e que, em mim, permanece. E o que permanece em mim não é apenas o eco, mas o amor que transcende as fronteiras do tempo, que desafia o desgaste da carne e se ergue, eterno, na poesia dos momentos que nos pertencem, mas que o mundo se esqueceu de guardar.
No pensador.ai desde