Frase de Ponti Pontedura
POEMAS DO LIVRO: Palavras azuis acordam a madrugada. Editora 7Letras 01 O poeta se põe a escrever como se entrelaçasse a face de um fantasma. O vulto transita pela cena, flutua sem corpo e deixa no ar o poema com voz trêmula. 02 Queria falar do susto quando acordei pálido com palavras azuis pedindo escreva um poema azul? Eram palavras assustadas, não queriam dizer nada, vieram no pesadelo procurando a poesia da madrugada. 03 Neste palco despovoado despertamos. Sei que me olham de soslaio sondando o que há em volta. Agora miram meus olhos e dizem palavras azuis acordam a madrugada. 04 Palavras azuis acordam a madrugada, mas dizem nada sobre a noite sonâmbula. Antes que seus nomes sejam pronunciados regressam ao seu destino, imersas em sono. Não podemos tocar nessas imagens nuas, ressonadas de sonhos e cansaço. 05 A dançarina silenciosa escapa da mão. Que desleixo deixá-la caindo caindo por mero desatino, sem destino. Que mão abre-se relapsa soltando a mão de outra que se perde sem sentido? Sem sentido a seguir a dançarina se refaz e renasce em cor tão flor tão forte. Em si ela contém o mundo. E não tem nome algum. Não me pergunte o que é. Não a colhi de palco alheio. Veio sem tempo de ser começo, meio e fim. É coisa cadente, estrela abandonada. Caiu de mão que retém nada. 06 Escreve tuas palavras de horror. Mas não grites. Não levantes a voz acima do poema. Escreve em caligrafia fria teu pavor pálido. Para onde vamos quando enlaçamos as mãos? Sentei-me ao pé da árvore e me colei ao solo. A gravidade me consola e lança a maçã no meu colo. Gravitando em torno da palavra, o poema nos acolhe em sua órbita mordaz.
No pensador.ai desde