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Frase de Carloskahe_Literatura

⁠Pasárgada eterna Vou embora pra Pasárgada. Não conheço o rei. Mas, sei que lá não tem avião e ninguém precisa de tanta fé. Tem rede com preguiça inclusa, todo dia é sexta-feira, e toda sexta-feira, pensando em sobra de feira, ela me sua. Pasárgada tem reza. Tem cantos de oferenda. Tem axé. Tem afoxé! É quando Deus descansa dos evangélicos. Nietzsche proibiu pastores, em votações de assembleias. Em Pasárgada tem rituais de Missa em Latim, e cestos de carinhos outorgados. Todos os rituais exigem tambores. Muitos tambores. A preguiça foi institucionalizada. A dança é democrática, e obedece a um engajamento entre pernas e quadris. Saravá, Bahia! Saravá, Umbanda. Saravá, meus amores. Em Pasárgada, o céu tem mais estrelas, os jarros têm mais flores. Eu preciso do endereço do Bandeira... Soube que o poeta mora no beco: o beco que ele cantou pleno de elipses mentais. Os sertões azuis se assomam nas varandas. Paga-se bem aos professores e redes são estendidas perto da eternidade. As luas são enormes e generosas, e já trazem (inclusos) redes e conhaques. Pasárgada tem campos de girassóis e broquéis contra insanos. Assistimos a luta de São Jorge contra o dragão, em tv 4k. Em Pasárgada Os poetas só precisam de alguns toques de imaginação.

Carloskahe_Literatura

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Pensador.com

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O Evangelho do dia No evangelho de hoje, Deus mandou uma mensagem direta pra mim. Bom dia, flor, do dia!
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O Evangelho do dia No evangelho de hoje, Deus mandou uma mensagem direta pra mim. Bom dia, flor, do dia! Pulei da cama. Não era Deus. Engasguei-me com um abismo de cápsulas. Submetido a diferentes ampolas, fiz combinações com tragédias que se definem protetoras do meu organismo. Chega de evangelhos! O homem precisa entender a sua hora. Fui caminhar na praia. Fui saltar as sete ondinhas. Fui reduzir os meus recalques. Pegou a visão ou entrou pelo ponto cego da linha? As diabéticas me fizeram doce. As estomacais encheram-me de azia. As guturais fizeram escândalos. As zodiacais perderam as suas linhas. Caminhei ao sol, mergulhado em multidões de quero-queros. Me perdoa, se a minha felicidade o incomoda, mas a lua cheia fez um traçado na barrinha, meu amor! O rio correu ao longo da praia e a areia volúvel ou indecisa, dividiu ao meio as águas morenas do rio e as ondas brancas do Oceano. Fiquei estático. Os pés enterrados na espuma... Consta que os caranguejos coloridos se vestiram de soldados. Diz o arauto do rei que vai haver haraquiri de aratus. Vai haver guerra de ossos e oscilações de mercado. São trágicas e volúveis, as confluências marinhas. eu sei, e já começo a confundir a eletricidade dos peixes. Do bagre ao xaréu. É loucura pensar assim, mas relaxa... um poeta quando transpira, o que ele põe pra fora é só loucura.

Cavalo O cavalo amarrado banhou-se no suor de minha fronte.Músculos. Coragem. Força. Braços. Coxas...Menino moleque, deixei a escola para mendigar trabalho.De que matéria sou? Que metáfora serei? Li de tudo. Nada estudei.
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Cavalo O cavalo amarrado banhou-se no suor de minha fronte.Músculos. Coragem. Força. Braços. Coxas...Menino moleque, deixei a escola para mendigar trabalho.De que matéria sou? Que metáfora serei? Li de tudo. Nada estudei. Não estudei matérias. Males do tempo abstrato, me abstraio do livro. Tirei purê de osso. Sou duro. Sou caroço. Sangue derramado de outros tempos. Nada sei dizer. Nada ouço. Sou ignaro. Não sou isento. Piso forte a vida. Ganho na palavra. Não ganho no grito. Não tenho cascos. Tenho medo do homem mudo. Tenho medo dos tempos modernos. Perigo por aí, alheio. Tudo semeio. Muito nada sou. Meio que sou meio. Sou inteiro. Absoluto. Botei luto. Luto em tudo. Minto. Minto muito. Minto aberto. Minto ralo. Sinto muito. Sinto nada. Resvalo vivo morrendo inventando coragem. Morto, não ancoro. Perdi as certezas de tudo. Nada aprendi. Fiquei cego de nada entender. Mas sou forte. Tenho sorte. Sou Falo. Nada falo. Tudo leio. Tudo vejo. Sexo. Suor. Sou bolas. Sou Texas. Africano, sou Angola. Sou vulcão. Sou Cancão onde há perigo de fogo. Sou Letal.Sonoro, sou metal. Fundeei navios de mouros. Não vim brincar de Dom Sebastião.

Nossa vida virou um circo A carestia sempre teve voz e autoridade para anunciar a hora da morte. Eu perdi o circo.
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Nossa vida virou um circo A carestia sempre teve voz e autoridade para anunciar a hora da morte. Eu perdi o circo. Não gritei palhaço. Perdi o espetáculo. A conversa chegou aos ouvidos de maínha. Em casa, a ladainha acordou a noite. A noite acordou a Lapinha e entrou pela madrugada. De manhã, a vida entrou pelo castigo, invadiu a moralidade. A nossa vida virou um circo. Mamãe grande encerrou o assunto, desmaiada. Fugi. Receitaram chás de rosas de palmatória, assim, que eu retornasse de Pirajá. É pra já! Ganhei o mundo. Vendi chá de cadeira. Em Pirajá, rolei a lona de tanta fome. Sonhei. Caí do arame. Arembepe. Corri. Ninguém me pegou no sonho. Sonambulei pelo quarto vizinho gritando palhaço. Fui expulso de casa. Levei nas mãos uma moldura inteira de palmatória. A melhor saída ainda não seria o cais do porto. Na baixa, fui sapateiro. Inclinei-me no plano, onde fui pescado. Puxado por arrastões, subi o elevador. Ninguém, em mim, morreu tão cedo. Ninguém ficou morto de mim. Ninguém me matou de passados. Em casa, mainha preparava olhos e ouvidos de peixe morto. Quiseram me enterrar na lama Mas, eu estava no elevador Lacerda, onde trapezistas se equilibravam no álcool. Descemos do altar. Desmontamos o circo. Ficamos altos em diversidade e dúvida. Fui convidado para ser o príncipe nos Galés. Morri na entrevista. Baiano?... Qual é a tua graça? Stradivarus. Stradivarus da Silva. Quem és tu? ... És nagô? Fui príncipe das marés. Nos Galés! Toquei tamborim pro Bob Dylan, no Benin. Meu surdo tocou fundo, Alcione. The One? Não sei quem é. É da Mouraria? Oxe, você não me conhece? Sou o cara que namorou as gordinhas de Ondina. Usei brilhantina nos cabelos crespos, para me parecer com John Travolta. Desde menino, sofro bullyings do meu vizinho Violino. Stradivarus, qual Violino? O doido que ganhou a vida no Largo. Louco, desvairado, Violino já acordava alucinado, gritando... Até para as fanfarras! Toca Raul! Toca Raul! Toca Raul!

⁠Envelope lacrado - o poema O sarampo a vacina a ignorância a cloroquina o panelaço... Tudo de acordo com a troca de delegados que facilitassem a pistolagem.
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⁠Envelope lacrado - o poema O sarampo a vacina a ignorância a cloroquina o panelaço... Tudo de acordo com a troca de delegados que facilitassem a pistolagem. Mortandades sem amparos. Mortes sem velórios. Abin de Dentro, Abin de Fora... Temas contraditórios secretamente orçamentados e perpetuamente envelopados. Tudo muito bem lacrado, sem contraordem ou palavrório. Santo Nordeste, o Senhor livrou-me de um estado teocrático, afegão. Que Deus vos guarde no coração. Naquela noite, a carreata, a multidão na praça. Recuperei a cabeça. Vendi o caixão. O mundo se renovou dentro de mim. Na aldeia de labirintos, passou uma fanfarra. A polícia derreteu os metais da orquestra. Tímpanos pífios, orquestrações de fugas, helicópteros raptados aos céus de Sevilha: muambas viajando em drogas de aviões blindados. Os mais espertos correram a Miami. Os mais otários invadiram palácios. Perdeste, mocinha! Deu ruim para sua festa! Que onda é essa de bíblia do mal? Bíblias com bombas, all inclusive? Popcorns, Escaravelhos Scor&piões... Nem o capeta entendeu. Ações criminosas se resolvem na Papuda. Comprei um trevo para imaginar-me pessoa de sorte. Antes que me esqueça. Amnesty é o Caravaggio!