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Frase de Carlos Alberto Silva

Nabokov Estava indignado. Não sei com quem tinha falado, mal cumprimentou, foi logo despejando: – O que falta no mundo é cultura. – Sem dúvida! – tivesse pensado um pouco e não teria concordado de maneira tão enfática. – Você menciona Nabokov e o sujeito não sabe quem é! – É... Bem... – Nabokov! Não estava com disposição para constrangimentos. Pelo menos não o seu próprio. Transferiu a responsabilidade: – Eu não sei quem é Nabokov. Pausa. – Você já ouviu falar dele. Só não está se lembrando. Resolveu arriscar: – O astronauta? – Cosmonauta. – Foi o que eu disse – vitória – O que fazer? As pessoas esquecem rápido os verdadeiros heróis. – Os astronautas são americanos – explicou – os russos são cosmonautas. Constrangimento. – Sim, mas um deles se chamava Nabokov. – Houve um cosmonauta chamado Nabokov? – Isso mesmo. – Não, sinto muito. Não houve. Se houvesse, eu saberia. – Então não sei de que Nabokov você está falando. – Mas isso não faz de você um ignorante. Eu só citei um exemplo – tentou consertar. Ou não, já que acrescentou: – Pois certamente você já ouviu falar de Joyce. – O outro, que pensara ter sobrevivido: – Também nunca ouvi falar dela. – Não é ela, é ele. – O nome do homem é Joyce? – James Joyce. – São drag queens? Blasfêmia – pensou. – Não são drag queens, meu amigo. Por favor! – Já sei! O goleiro da União Soviética na copa de 82. – James Joyce?! – Não. Nabokov. – Não, não. Aquele era o Dasaev. – Estou falando do reserva. Grande goleiro. – Você se lembra do nome do goleiro reserva da União Soviética na copa de 82?! – Claro! O terceiro goleiro – abusou – tão bom quanto o titular. – Sinto muito! Não era Nabokov. Se fosse eu me lembraria. Não existe nenhum outro Nabokov. Não que você conheça. Sabe o que quero dizer; não se ofenda. Sabia coisa nenhuma e estava ofendido sim: – Quem são esses caras, então?! – Escritores! Importantíssimos! Vladimir Nabokov e James Joyce escreveram alguns dos romances mais importantes do século XX. O outro suspirou resignado: – Bem, eu não tenho lido muito ultimamente. Principalmente histórias de amor. A conversa chegara ao ponto que interessava a ambos. Ideal para pôr um fim. – Quem tem tempo de ler hoje em dia, não é? Só trabalho, excesso de informações... – Nem me fale. – E os livros custando uma fortuna! – Inviável. É isso aí, meu amigo, foi um prazer revê–lo, o prazer foi meu, abraço, recomendações, e se afastaram sem mais delongas. O primeiro, aliviado, e disposto a selecionar melhor suas amizades. O segundo igualmente, e ainda por cima, indignado. Encontrou outro amigo, mal cumprimentou, já foi logo despejando: – O que não falta no mundo é ignorância! – Sem dúvida. – Você diz que não conhece Nabokov e o cara acha um absurdo! – Quem?! Nabokov...

Carlos Alberto Silva

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Pensador.com

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⁠Boas atitudes passam despercebidas todos os dias. Silenciar, ser discreto, evitar um conflito ou a maledicência são atos que deveriam ter o reconhecimento de todos, mas não é assim que ocorre. Por outro lado, a maldade, a grosseria e a mesquinhez chamam a atenção facilmente, e f…
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⁠Boas atitudes passam despercebidas todos os dias. Silenciar, ser discreto, evitar um conflito ou a maledicência são atos que deveriam ter o reconhecimento de todos, mas não é assim que ocorre. Por outro lado, a maldade, a grosseria e a mesquinhez chamam a atenção facilmente, e fazem parecer que existe menos bondade no mundo.