Frase de Viviane Barroso
"O NOME O nome que se encerra em meus lábios não é de gente, nem de bicho, nem cabe no estampido de um fonema solto ou comum. O nome que meus lábios sepultam está além da palavra, por isso se cala e se cola em minha boca na saliva espessa do silêncio. Que nome é esse que me queima a língua e se deita frouxo na monotonia do grito cansado, carente de vida e de voz? Esse mesmo nome cheio de pecado e da nociva perplexidade é aquele nome abstrato, quase sêmen, quase um mantra, quase sagrado, que cura toda a tribo quando se evoca e entra na dança, entra na história, e se faz verso, se faz lido na capa negra de um livro. O nome que caminha entre a alvura dos meus dentes e neles se senta porque nas pernas não se sustenta como se um velho fosse sendo uma tenra criança ainda. Louco de fazer-se ideia. Código de guerra num vasto tapete de procissão. O nome que sufoca o ‘não’, que desmancha o ‘sim’, que desfaz o tempo impreciso do ‘talvez’ e salta à tez... E amanhece mulher na palma da minha mão. Poesia errante Que às águas do papel se precipita. E se afoga na intenção obscura do sentido. E vira mito. O nome que morre sem nunca ter sido, Sem nunca saber quem foi, para o poema poder nascer."
No pensador.ai desde