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Frase de Moacir LuÌs Araldi

Inesquecível mamãe. Nem sei como começar. Não tenho prática. Nestes quarenta anos nunca te escrevi. A senhora sabe como é: correria, muito trabalho, compromissos diversos e afinal, ninguém é de ferro né mãe. Mas hoje, parei de encontrar desculpas e resolvi te escrever. Talvez eu tenha algumas novidades pra te contar. Saiba a senhora que já não sou mais aquele menino que tinha vergonha de te beijar, de te abraçar, que não sabia o quanto é maravilhoso dizer e ouvir um “eu te amo”. Cresci mãe, passei e passo meus momentos de dificuldades. Não só eu, os irmãos também. Pena que não te abracei mais, que não te beijei mais, que não demonstrei mais o meu amor por você. Eu não sabia que você partiria tão rápido. Talvez se soubesse teria feito diferente ou morreria antes para não sofrer esta perda. Mas estou sobrevivendo, lutando, buscando sempre acertar. Você sabe o quanto é difícil tocar em frente. Eu tento facilitar, pode acreditar, mas ás vezes desabo. Não vou negar que tenho minhas fraquezas e culpas, mas também vivo momentos ótimos, inesquecíveis e lindos. Puxa! Estou escrevendo e me dou conta que até meus cabelos estão parcialmente brancos. Lembro como se fosse hoje o dia que você teve que ir. Nossa. Tanto tempo, mas a memória não se esquece de nada. Todos me deram uma especial atenção, tentaram me distrair. Eu era tão menino, tão inocente, mas sabia o que significava aquele momento. Eu sabia que meu melhor pedaço de doce ficava ali. Por muitos anos não consegui falar em você sem chorar. Agora também estou em lágrimas. De saudades, de vontade de te ver, de saber que se você estivesse comigo poderia ser mais fácil. De saber que no caminho, por vezes, encontramos mais espinhos do que flores. Naquele inicio de ano de setenta e dois, nos afastamos para nunca mais eu ver teu rosto. Não sei se, em algum momento, viste o meu. Estou diferente agora. Perdi aquele sorriso, perdi parte do brilho dos olhos desde aquele dia e agora ainda mais. Acho que pra aliviar um pouco comecei a escrever. Assim, despretensiosamente. Nos anos 80 fiz algumas crônicas para jornais. Depois fui escrevendo algumas poesias. Em 87 participei da primeira antologia. Hoje são várias participações. Participo de um site literário, tenho recebido até elogios. Acredita mãe? Verdade. Pena que você não pode ver. Este ano tenho um projeto mais ousado, conto com teu apoio materno para que dê tudo certo. Confio no teu amor. Confio na tua intercessão. A parte triste é que não poderei te enviar, sequer, esta cata. Você promete me ajudar mesmo assim? Saiba que eu escrevo com o coração, com a sensibilidade e a saudade de um filho que não te esquecerá jamais. Quem sabe você, com teus poderes de mãe consiga ler. Tomara. Tomara mesmo. Se não for possível me deixa, ao menos, sonhar que lerá. Por hoje era isso mãezinha. Beijos. Ainda amo você muito mais do que a mim mesmo. Feliz ano novo pra você. Feliz ano novo para todos. *Mamãe faleceu em 03/01/1972. Completaria 52 anos em 01/03/1972

Moacir LuÌs Araldi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Seja via só de passagem. Não plante futuros entre as pedras, nem abane adeuses em cais, em momentos sombrios. Melhor ouvirmos o vento declamar redemoinho-de-poesias que enchem de alegrias, mesmo que fúteis e vazias. Sem medo de decepções, mantendo o sonho bem vivo e a felicidade em nossas mãos.

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Embaçado O dia estava me esperando. Lindo. Primaveris adornos a enfeitá-lo. O talentoso sol desenhava sombras dos meus pedaços. No outside marítimo pranchas a deslizar com surfistas equilibrados. E eu que acabei de chegar de um sonho “desperfumado” questionei Por que havia me acordado? Meus olhos buscaram também o céu. Límpido, mas estranhamente o vi embaçado.