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Frase de Rosana Pereira Montoto

Paradoxo Vou, mas permaneço aqui Paradoxo de vida, sei lá. Deixarei meu “eu “em cada canto Estarei no pó que sai da terra E na gota de chuva Estarei morrendo na partida Para renascer na chegada Façamos de conta que é só um tempo ruim Uma pequena ausência minha Quando tudo passar, renasço das cinzas É só um morrer na dor da solidão E um viver depois, no cio da própria vida.

Rosana Pereira Montoto

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Pensador.com

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PODERIA TER SÓ CORPO Poderia ter sido só corpo Só o momento.
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PODERIA TER SÓ CORPO Poderia ter sido só corpo Só o momento. Poderia. Mas as almas às vezes se encontram E se encantam de tal maneira Que o corpo apenas já não basta. Poderia Ter sido Só o encontro inesperado E o mal súbito Que se tem Diante do que ainda não se sabe. Se tivesse sido da maneira que era para ter sido Se pudéssemos termos só corpo Sem a alma ter se intrometido Sem a alma ter se encantado Não haveria em você essa dor, esse sofrimento. Não haveria em mim Essa culpa absurda Esse temor descabido De estar te causando tanta dor Tanto desalento. Se tivesse sido só corpo Haveria os risos, as descobertas O frenesi normal Seríamos apenas festa E utopicamente viveríamos Sem saber Sem se ter Sem se doar Sem compartilhar. Se tivesse só corpo Sem a alma ter se encontrado Talvez nem estivéssemos mais juntos Talvez nem pudesse ter conhecido O seu melhor, o seu mais forte O seu companheirismo A sua solidariedade. Se tivesse só corpo Sem a alma estar envolvida Eu não teria te amado tanto Dessa maneira tão bela Tão inexplicável E tão sem futuro. Se tivesse sido só corpo Não teríamos falado Da espera, da saudade, das dores Dos desamores e dos desencontros Se tivesse sido só corpo Não teria sentido nada disso E teríamos perdido Os olhos invisíveis Que só as almas possuem. Se tivesse sido só corpo

Resenha E porque a vida desfez o último fio, era tarde para tentar desmembrá-la, e era tarde para se compreender os enigmas. E porque a vida desfez os últimos fios, ficou apenas a lembrança guardada na caixa azul de fitas amarelas.
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Resenha E porque a vida desfez o último fio, era tarde para tentar desmembrá-la, e era tarde para se compreender os enigmas. E porque a vida desfez os últimos fios, ficou apenas a lembrança guardada na caixa azul de fitas amarelas. No entanto, havia o desejo de tocar as mãos, de sentir dos lábios as palavras soltas, perdidas, sem nenhum compromisso de entendimento, de compreensão. E o silêncio a roçar a face e a dizer banalidades. Nada mais é banal. Agora tudo é muito sério. O último fio a se desprender da janela. E do peitoril não mais ouvir os pássaros, nem alimentá-los com a falsa promessa das migalhas de pães. Nada!. O ensurdecedor se fez barulho e o grito soou nas esquinas. Ninguém quis ouvir. Havia outros sons perdidos, virando estradas, se perdendo por ai. E havia a vida a desfazer os últimos fios, a trocar segurança por interrogações. Nenhum passo seguro que pudesse decidir caminhos. E a lágrima que não mais precisou cair. Ficou enroscada no peitoril da janela, nos sons monossílabos e minúsculos dos pássaros que preparavam seus vôos de regresso. E porque era o último fio, não mais precisava segurar o sonho, nem se agarrar à realidade. Bastava deixar a asa de cera estendida ao sol para que se derretesse e levasse com ela a esperança do alcance, da imensidão, do espaço azul coroado de nuvens sem formas. Nunca mais houve o calor de um abraço, nem a alegria de um encontro. Tudo se fez tão pouco, quase imperceptível. E porque a vida desfez os últimos fios, já não bastava cruzar as mãos, mas sim esticá-las ao máximo, para tocar o intocável, o inanalisável. E porque as mãos não mais desejaram o toque, a amplidão de tudo se fez. E não houve despedidas, nem mesmo pássaros voando, nem mesmo uma lágrima a cair da face. Nada. Apenas alguns olhos se olhando, balbucios de palavras que o próprio tempo se encarregou de explicar.

Primavera É primavera e vou vivendo a esmo. Vou vivendo no logo e na procura,
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Primavera É primavera e vou vivendo a esmo. Vou vivendo no logo e na procura, Convivendo comigo mesma Nas ruas, nos bares, nos parques, Nas praças e em mim. Dias morrem, outros surgem; Esperanças rasgando o ventre Do amanhã! Vou vivendo nas madrugadas enluaradas de ébrios. Vou vivendo no riso e na dança Nas festas e nos ferétros Nas dúvidas e nas dívidas. Algumas pessoas se drogam fugindo delas mesmas. Vou vivendo e sobrevivendo do meu próprio cio, Entre lamentos e descobertas Entre a paz e a guerra Entre acertos e desacertos Dessa vida desconexa, Tão linda, tão mágica e tão misteriosa E ás vezes sem nenhum sentido. Vou vivendo dia após dia Noite após noite Idas e vindas Chegadas e partidas. Vou vivendo e vendo O passar do tempo E passando com ele! Vou vendo o canto dos pássaros E um século que finda E a natureza que suporta, Resiste e insiste em ser Primavera Apesar da ganância, da maldade E do desencontro do homem Rosana Pereira de Lima

Prelúdio para amanhã Dorme amor Que a vida desperta mais tarde
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Prelúdio para amanhã Dorme amor Que a vida desperta mais tarde Com suas lógicas Com seus absurdos com todas as surpresas E angústias Que cabe a cada tempo Dorme amor Que a vida já vem Com seus assombros E seus sopros amenos Dorme amor Que a vida já vem E é só isso que se tem É só isso que se sabe Acorda amor Antes que a vida se vá Sem que haja tempo Para as descobertas Para o aprendizado Para o sentido De tudo Acorda amor Para a única certeza Que ainda podemos ter Que tudo é sempre tão incerto Tão sofrido E apesar de tudo E por tudo Ainda estamos por aqui.